domingo, 13 de novembro de 2016

ANGOLA UMA HISTÓRIA A RECORDAR.....







Descoberta e colonização de Angola pelos Portugueses

Em 1482, as caravelas do Reino de Portugal comandadas pelo navegador português Diogo Cão chegaram ao Reino do Congo. Seguiram-se outras expedições e estabeleceram-se relações entre os dois reinos. Os portugueses levaram armas de fogo, diversos desenvolvimentos tecnológicos, a escrita e uma nova religião, o Cristianismo. Em troca, o Reino do Congo ofereceu escravos, marfim e minerais e especiarias.

Em 1575, Paulo Dias de Novais funda Luanda com a designação de São Paulo da Assunção de Loanda. Dispondo de cerca de 100 famílias e 400 soldados, Novais estabelece uma "praça-forte" essencialmente destinada ao tráfico de escravos. Em 1605, a coroa portuguesa atribui o estatuto de cidade a Luanda. Várias infra-estruturas como fortes e portos foram construídas e mantidas pelos portugueses que, no entanto, não procederam à ocupação de um território maior, fixando-se apenas em certos pontos do interior imediato. Benguela, um forte desde 1587, passando a cidade em 1617, foi outro ponto estratégico fundado e administrado por Portugal. A presença portuguesa nestes pontos do litoral foi marcada por uma série de conflitos, tratados e disputas com as unidades políticas próximas, nomeadamente o Reino do Kongo, Reino do Ndongo e do Reino da Matamba.

Até à Independência do Brasil, a colónia angolana servia essencialmente para fornecer escravos, nomeadamente para a exploração de minérios no Brasil. Com a fuga da família real portuguesa para o Brasil, o comércio de escravos aumentou. A declaração de Independência do Brasil forçou Portugal a dar uma maior importância a Angola dada a perda dos recursos provenientes do seu ex-território americano. Naquela altura, alguns países europeus, nomeadamente a Inglaterra, a França, a Bélgica, a Alemanha, a Espanha e a Itália vinham a ter um papel cada vez mais destacado como potências imperialistas. África passa a ser uma região a explorar dados os seus recursos naturais, algumas importantes para o desenvolvimento industrial na Europa. Esta viragem deu origem, na segunda metade do século XIX, a uma "Corrida para a África" em que cada uma das potências europeias tentou assegurar-se o domínio de parcelas territoriais do continente. Ao fim de fortes disputas entre europeus, e depois de vencida a resistência oferecida por boa parte das unidades políticas africanas, África ficou, em inícios do século XX, dividida em colónias europeias, com a excepção da Etiópia.

A conquista portuguesa do território correspondente à actual Angola, a partir de Luanda e de Benguela, teve início em começos do século XIX, abrandou durante várias décadas, e retomou com força na segunda metade daquele século, já numa situação de concorrência com as outras potências europeias. O interesse económico imediato continuou a ser o tráfego de escravos, lentamente completado por outros tipos de comércio bem como por uma agricultura de plantações, geralmente de dimensão limitada, e trabalhados com recurso a mão-de-obra escrava.
O fim oficial da escravatura em Portugal data de 1878; em Angola, também a mesma data é apontada como, ao nível formal, o fim da escravidão. No entanto, e na prática, a exploração da mão-de-obra negra continuou através de um instrumento designado por “contrato” (em vigor até 1961), que consistia na contratação de ex-escravos pelos seus anteriores senhores. Em 1899, é criada uma nova lei de trabalho - Regulamento do trabalho dos indígenas - que concebia a noção de “trabalho forçado indígena” (habitantes autóctones das colónias).

A delimitação do território de Angola fez-se, no essencial, na Conferência de Berlim onde Portugal teve que fazer pesadas concessões. Por um lado foi rejeitado o Mapa cor-de-rosa que reclamava para Portugal uma extensa faixa que ligava Angola a Moçambique, incluindo os territórios da (hoje) Zâmbia, do Malawi e do Zimbabwe. Por outro lado, teve que ceder ao Congo Belga uma faixa substancial ao longo da foz do Rio Congo, de modo que o Congo Português ficou reduzido à enclave de Cabinda. Finalmente, teve que concordar em reconhecer o Rio Cunene como fronteira com a colónia alemã do Sudoeste Africano. Acertos de detalhe levaram décadas, de modo que as fronteiras definitivas de Angola só ficaram estabelecidas em meados dos anos 1920. É esta também a data em que se pôde falar de uma "ocupação efectiva" de todo o território.
 — com Mina Parente e Herminia Parente.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

LENDAS DE ÁFRICA




A lagoa de Mufututu tem uma história de arrepiar. Os habitantes da aldeia de Quimacuna, a quatro quilómetros do Songo, fazem lá uma cerimónia tradicional. O ritual serve para mostrar as maravilhas da região.
Dizem os antigos que os bagres fumados ou mesmo cozinhados mergulham nas profundezas da lagoa e escondem-se numa gruta impenetrável. Há relatos impressionantes de acontecimentos próprios do outro mundo. Uma coisa é certa: as pessoas estão proibidas de mergulhar e pescar na lagoa Mufututu
São mitos ou realidades que obrigaram a reportagem do caderno Fim-de-Semana a falar com o mais velho da aldeia. Mateus Domingos, 74 anos, viveu sempre na aldeia Quimacuna. Revelou à nossa reportagem factos inacreditáveis mas que ele garante serem verdadeiros. A lagoa Mufututu tem uma água cristalina e pura. Quando se junta às águas do rio Dunda, fica esbranquiçada e forma um separador bem visível: “todos sabemos que ninguém pode entrar na lagoa mas não há aqui feitiço nenhum”, diz Mateus Domingos.
A lagoa foi descoberta, por acaso, em 1922 ou 1923, pelo velho Nkelani. As águas límpidas mostravam grandes quantidades de bagres. Resolveu colocar na água uma muzua para pescar. Deixou a armadilha e foi-se embora para casa. No dia seguinte regressou ao local e ficou espantado com o que viu.
A muzua estava na margem, sem qualquer peixe. O velho Nkelani pensou que alguém tinha tirado a armadilha do local. Voltou a colocar a muzua na lagoa e regressou a casa. Quando o velho Nkelani regressou à lagoa de Mufututu, no dia seguinte, encontrou a muzua abarrotada de peixe. Mas ficou aterrorizado, porque eram bagres fumados e cozidos. Só havia uma pequena quantidade de peixe fresco. “Isto é verdade, ninguém pode duvidar porque aconteceu mesmo”, garante Mateus Domingos.
Sonhos prodigiosos..
Nkelani voltou para casa apreensivo. Pelo caminho encontrou três porcos, matou um e os outros dois fugiram. Mas o velho não levou o porco morto, continuou a caminhar, sem perceber que os dois porcos fugitivos o perseguiam até à entrada da aldeia de Quimacuna. Dias depois, Nkelani apanhou uma doença e morreu. Antes de morrer, Nkelani teve uma visão. Os bagres pediram-lhe para dizer ao povo de Quimacuna para que ninguém tomasse banho ou pescasse na lagoa do Mufututu.
“Sempre que vai haver acontecer alguma coisa boa, o soba da aldeia sonha com os bagres, é assim que eles nos transmitem uma mensagem para nós tomarmos precaução”, contou Mateus Domingos.
Peixes de férias……
Os peixes da lagoa do Mufututu entram de férias nos meses de Março e Abril e só voltam em Junho. “É por isso que estamos a ver poucos peixes e todos pequenos. Aqui há centenas de bagres colossos que, nesta altura, foram visitar a mãe, na lagoa Dimina, na comuna do Kinvuenga, onde passam as suas férias”, revelou Mateus Domingos.
Antigamente a mãe dos bagres vivia no Mufututu, mas por causa das obras nas estradas foi alterado o curso de alguns riachos e lagoas. Por isso a rainha dos bagres fantasmas foi parar à Dimina.
“Nós apercebemos que ela tinha mudado de lagoa, porque enviou um sonho ao velho Miguel Nsanga, que também já foi soba desta aldeia. A mãe dos bagres pediu para cuidarmos bem dos seus filhos”, contou Mateus Domingos.

Antigamente existia uma grande cidade dentro da lagoa. Quem duvidasse da sua existência, era obrigado a mergulhar para ver com os seus olhos, mas isso só era possível fazer depois da realização de um ritual tradicional. “Depois da mãe dos bagres mudar de residência, a cidade desapareceu e agora só se vê uma luz verde lá no fundo, esta é mesmo uma lagoa maravilhosa”, concluiu Mateus Domingos.

domingo, 9 de outubro de 2016

GUERRA COLONIAL OU GUERRA DO ULTRAMAR?

«A escolha da designação da guerra que os portugueses travaram entre 1961 e 1975 não é inocente e, como se tornou um motivo de polémica, ainda menos inocente é. No entanto, penso que não é tão importante como isso, nem precisa de suscitar grandes exaltações, à medida que o tempo vai assentando. Na verdade, a guerra no Ultramar foi uma guerra colonial, e não há modo de lhe dar a volta se tratarmos apenas do conteúdo. Começou como guerra colonial, desenvolveu-se como guerra colonial, gerou as tensões no Ultramar e na metrópole típicas de uma guerra colonial, atingiu soldados, colonos brancos e guineenses, moçambicanos e angolanos, como uma guerra colonial, levou à queda de uma ditadura por ser uma guerra colonial, logo perdida à cabeça e sem solução militar, acabou como uma guerra colonial, e continuou, nas suas sequelas de guerra civil, como acontece com os efeitos de uma guerra colonial.

Para quem se lhe opôs, desde os desertores, os refractários, os militantes contra a guerra nas escolas e fábricas, os partidos clandestinos que combatiam a ditadura, ninguém a designa a não ser como guerra colonial. Para os nacionalistas africanos que combateram com armas as Forças Armadas Portuguesas, também não lhes passa pela cabeça chamar à guerra outra coisa que não colonial. Penso, com o risco deste tipo de previsões, que ficará na História como guerra colonial, pelo simples facto de ter sido… uma guerra colonial.
Mas há outro lado: muitas centenas de milhares de portugueses combateram na guerra, muitas mães, namoradas e esposas conheceram a espera sobressaltada e o sofrimento com mortes, feridos e feridas, algumas das quais nunca sararam. Ouvi recentemente alguns depoimentos de soldados, e das mulheres que esperavam, e percebe-se muito bem porque a designação guerra colonial os incomoda, mesmo que, ao falarem da sua experiência militar, se perceba até que ponto foram forçados a fazerem-na, sofreram ao fazerem-na, e olham para ela com uma perspectiva muito mais crítica do que muitos opositores à guerra são capazes de ter. Por uma razão simples, eles fizeram-na e precisam, pela sua dignidade e identidade, que o seu esforço e risco não seja minimizado ou apoucado, pela parte que lhes cabe na condenação moral que tem a designação de guerra colonial. Eu nunca designaria a guerra a não ser como colonial, se à minha frente estivessem os seus responsáveis políticos e militares, nem os seus defensores actuais, mas não me incomoda vê-la designada como sendo do Ultramar por estes homens e mulheres. Até porque, de todos os que ouvi, nenhum achava que a guerra tinha sido justa, nenhum correu para a guerra porque acreditava nas virtudes do império, nenhum escondia as violências e os excessos e mesmo alguns sublinhavam como a guerra lhes destruiu quer a vida que desejavam ter, quer a que tiveram.

É também por isso que penso que o Estado e a comunidade lhes devem aquilo que nos países que conheceram grandes guerras, como os EUA e o Reino Unido, é o reconhecimento dos seus veteranos, e o esforço de os apoiar na sua vida tantas vezes difícil. E honrá-los como devem ser honrados porque a justiça e a injustiça das guerras que um país trava não ficam como julgamento moral dos que as combateram, mas sim naqueles que as decidiram.»

José Pacheco Pereira



sexta-feira, 23 de setembro de 2016

ESPÓLIO FOTOGRÁFICO (24)

Humberto Pinto de Morais
Capitão de Infantaria
39203258

  

ESPÓLIO FOTOGRÁFICO (23)

                  José Carlos Ventura Almeida Coelho
                           Alferes Atirador
                             04579069


      

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

MOVIMENTO NACIONAL FEMININO

O Movimento Nacional Feminino (MNF) (1961-1974) foi uma organização de suporte do Estado Novo criada por iniciativa de Cecília Supico Pinto e apoiada por António de Oliveira Salazar, voltada para a organização das mulheres em torno do apoio à Guerra Colonial, em particular quando o conflito em Angola, Moçambique e Guiné se intensificou.




terça-feira, 2 de agosto de 2016

INTERLUDIOS NA GUERRA

SONGO
Durante os vinte e sete meses que estivemos acantonados na vila, tivemos alguns momentos de lazer e para isso contávamos com o CDRS(Clube Desportivo e Recreativo do Songo) que nos proporcionavam  em alguns dias da semana, filmes de amor já que de guerra todos os dias os actores estavam presentes.
Depois aconteciam todos os anos as festas que eram dedicadas às colheitas do café e que tinham o seu cunho característico.


quarta-feira, 8 de junho de 2016

ANGOLA TERRA DE AMORES E ÓDIOS

Passados tantos anos, ainda hoje me percorre no corpo a sensação de que metade de mim ficou em Angola....a saudade impera e por vezes em velocidade vertiginosa as imagens da terra prometida engolem-me literalmente!
Gostava que os que mandam tivessem mais respeito pelo próximo, mas a avidez pelo poder cega-os!!!






quarta-feira, 18 de maio de 2016

domingo, 24 de abril de 2016

25 DE ABRIL...SEMPRE

25 DE ABRIL...SEMPRE!
ARY dos SANTOS, a voz da liberdade num poema eterno sobre todos aqueles que fizeram um Portugal novo!
Um sentido obrigado aos que intervieram na construção das palavras...LIBERDADE e DEMOCRACIA....







sexta-feira, 1 de abril de 2016

O DIA DO COMBATENTE

                  QUEM COMBATEU POR PORTUGAL NÃO PODE SER ESQUECIDO


 Combatentes + Esposa + Filhos + Netos + Familiares + M. de Guerra Resultante de uma Reunião Memorável entre a Liga dos Combatentes + Associações de Militares e Combatentes + Comissão do Encontro de Combatentes 10 de Junho. Instituições que Representam Oficialmente os Combatentes de Portugal. Obtiveram um acordo por unanimidade e Vão apresentar uma Proposta: A Sua Exª Sr. Presidente da República, e por inerência do cargo o Comandante Supremo das Forças Armadas de Portugal, mas também é o Presidente de Honra do Conselho Supremo da Liga dos Combatentes, para que se Institua Oficialmente em Portugal “ O DIA DO COMBATENTE” Para ser comemorado em todos os Concelhos de Portugal, pois não há uma Família Portuguesa que não tenha um Familiar, que não tenha sido Combatente!!!!! Para no Futuro os nossos Filhos, Netos, Bisnetos e todos os Familiares Vindouros, Recordarem com “PATRIOTISMO DIGNIDADE E HONRA” os Combatentes de Portugal!!!!
Jose Adelino Ferreira Nunes














sexta-feira, 25 de março de 2016

quarta-feira, 2 de março de 2016

ESPÓLIO FOTOGRÁFICO (20)

                                   
                                    Álvaro Andrez Martins-Soldado Transmissões-17457270




             

terça-feira, 1 de março de 2016

JOVENS E INOCENTES

Hoje velhos e cansados, só temos recordações e saudade de todos aqueles que perdemos ao nosso lado. clamando um último pedido...Mãe entrego-me em teu regaço!
Este país desmembrado que desprezou toda uma juventude, que verteu o seu sangue em terras de África, não mereceu o nosso esforço!

            

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

ESPÓLIO FOTOGRÁFICO (19)


                            Carlos Manuel Vasco Matoso-Furriel Miliciano Atirador-19912270



               

ESPÓLIO FOTOGRÁFICO (18)


                       José Manuel Subtil da Silva-1º Cabo Auxiliar Enfermeiro-05985370




                              

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

ELOS QUE SE PERDERAM....

Na verdade, foi o nosso tempo, e ninguém pode mudar os acontecimentos. Com atribulações, angústias e sonhos adiados, fomos a geração de valentes que a Pátria chamou.
Passados tantos anos, só algumas recordações permanecem, outras vão-se desvanecendo no tempo empurrando-nos cada vez mais para o adeus final!


ENTARDECER
Neste entardecer nublado 
Sinto meu coração como ele
Vertigens de um passado 
Que nunca esquecerei...
Vejo - te em brumas orvalhadas 
Teus olhos fixos nos meus 
De uma despedida forçada...
Meus lábios junto aos teus...
Meu amor como fico triste 
Quando recordo essa partida 
Que levou nossas ilusões 
E projectos da nossa vida. 
Sinto e sentirei sempre 
O teu rosto nesse dia 
Que encostado ao meu 
Mostraste a emoção 
Que o teu coração sentia.
Num breve Adeus partiste 
Ficamos os dois a chorar. 
De saudades que já sentíamos 
Até de novo voltares.
Rosete Cansado



sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A NOSSA GUERRA DERRAMADA NO FACE

As redes sociais acabam por ser um elo para os nossos desabafos de um período que nos marcou a todos.
Uma maneira de divulgarmos as nossas dores, e os episódios marcantes de uma guerra que durou muitas vidas!


http://ultramar.terraweb.biz/index_MortosGuerraUltramar_Portugal.htm#.VqQR3hN5-95.facebook




                            https://www.facebook.com/utw.veteranosguerraultramar/?fref=ts





                                       https://www.facebook.com/groups/guerradafrica/?fref=ts




                                     https://www.facebook.com/groups/316514305043766/?fref=ts




                                            https://www.facebook.com/groups/c.ultramar/?fref=ts




                                       https://www.facebook.com/groups/990590954345721/?fref=ts




                                        https://www.facebook.com/groups/B.Cac.2927/?fref=ts




                                   https://www.facebook.com/groups/1539146936299362/?fref=ts




                                  https://www.facebook.com/groups/Combatentes.Debates/?fref=ts




                                      https://www.facebook.com/groups/vozcombatente/?fref=ts




                                  https://www.facebook.com/ExCombatenteDoUltramar/?fref=ts









segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

CAMARADAS da ONZIMA no FACEBOOK

                           José Carlos Ventura Coelho-Alferes Miliciano- Atirador-04579069
                                https://www.facebook.com/jose.c.coelho.161?fref=pb_other
                           





                            Lino António da Silva Martins Rei-Alferes Miliciano.Atirador-16524069
                                       https://www.facebook.com/linoasmrei?fref=pb_other




José Manuel Couto-Alferes Miliciano-Atirador




Adriano Jorge Faria Leitão-Alferes Miliciano-Atirador




José da Graça Marques Calado-Furriel Miliciano Transmissões-00203470




Abilio Barros de Sousa Castelo-Furriel Miliciano-Atirador-00797070




Manuel Lourenço Areias Amaral-Furriel Miliciano-Atirador-04698070





Orlando Ortiga de Castro-Furriel Miliciano Enfermeiro-07867270





António Albano Martins Costa Leite-Furriel Miliciano Atirador-16721170






Albano Cardoso Tavares Laranjeira-Furriel Miliciano Mec. A. R.-18581270







Carlos Manuel Vasco Matoso-Furriel Miliciano Atirador






Manuel João Pimenta Gouveia-1º Cabo-C.A.R.-05182670





Júlio Mário Dias Pereira-1º Cabo-Aux. Enfº-11550170





Adelino Pedro Rodrigues de Freitas-Soldado Atirador-03938671




José Armindo Lamarão Augusto-Soldado-C.A.R.-15747070





José Maria Vaz Gonçalves-Soldado-C.A.R.-15856570







Joaquim da Silva Romão-Soldado-C.A.R.-15758870





José Francisco Faria Alves-Soldado Corneteiro-18411170




João Gabriel de Freitas Nóbrega-Soldado Atirador-19912071





domingo, 13 de dezembro de 2015

MENSAGENS DA QUADRA NATALICÍA

Tão embrenhadas no tempo, mas são memórias da nossa passagem por terras africanas.
Grande parte delas manifestava o nosso nervosismo perante a câmara de filmar que nos era colocada à nossa frente, e nós sobre uma tensão nervosa tremenda acabávamos por enrolar a língua e por vezes ficávamos a patinar com as palavras, originando por vezes algumas risadas dos nossos camaradas.
O tempo era escasso para falar e éramos avisados para ser rápidos, o que obviamente nos atrapalhava a dicção, no entanto o importante era transportar a nossa imagem até Portugal, para que os nossos familiares tivessem a alegria de saber que estávamos vivos.





quarta-feira, 25 de novembro de 2015

“CONTRA OS CANHÕES”



Ex-Aferes Lino Rei autor do livro "Também Eu Estive Lá"......


Texto publicado no Jornal “Correio do Minho”, 15/07/2010 (Braga) e seleccionado de
entre “as melhores histórias” na rubrica “Conta o leitor” de “Quem conta um conto acrescenta um
ponto”.                                                        

                                                              “Contra os canhões…”

António viu-se mobilizado para a guerra e, com ele, mais uns milhares de mancebos por esse país fora.
Já em Luanda, reencontrara no Grafanil – centro de mobilização geral de Angola – um conterrâneo seu que já tinha começado a sua comissão e aguardava novas ordens, para outros destinos.
– Então, pá, também por aqui? – Admirou-se o Fiúza, de Operações Especiais e a fazer serviço na
unidade, enquanto aguardava ida para o Leste.
– Como vês, parece que calha a todos!…
– Olha, a malta só aguarda transporte dos páras e fala-se numa mega operação lá para o Leste; estamos só a afinar as armas…
– Porra, parceiro, isto está assim tão mau?
– Bem, como ainda estás a chegar, será melhor veres por ti. A propósito, para onde vais?
– Sei lá, pá, é lá para o Norte, uma parvónia qualquer…
– Vê que não te calhe a rifa de Nambuangongo, aquilo é fogo da pesada!
– A nossa malta é “tropa macaca” mas o Capitão é dos comandos, nem imagino como vai reagir. Seja o que Deus quiser!
– Boa sorte, a gente ainda se vê por aí. A propósito, sabes quem está na prisa?
– Conta.
– O Salsichas. O gajo pirou-se e andou à porrada com o alferes e pô-lo no hospital!
– E agora?
– Agora, vai alinhar por duas comissões de serviço, se entretanto sair da gaiola!…
(…)
Tentando quebrar a tensão da picada, procurou no bolso do camuflado um cigarro. Entretanto, no
transístor do condutor, a Rádio Luanda anunciava manifestações patrióticas no Puto. Um político de
ocasião ainda discursava: (…) “A quantos souberam bater-se para que todos possam viver (…) Por isso, nesta manhã dos heróis prestamos sentida homenagem aos varões assinalados que fizeram história no Ultramar português” (…)

Que raio fazia António ali, a milhares de quilómetros da sua terra?
A seu lado, o furriel progressista reavivara poemas de Manuel Alegre pois os “ventos” começavam a
soprar outras trovas.
Ouviu-lhe:

Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
O vento cala a desgraça
O vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
Dentro da própria desgraça
Há sempre alguém que semeia
Canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não.

Afinal de que lado estava António?
Um cabo alfacinha aproveitou a boleia poética e trauteou um dos tops da altura, pelo Conjunto de
Oliveira Muge, de Ovar. A canção A Mãe que rivalizava com o Le Ruisseau de mon enfance (Adamo), Caracóis (Amália), Delilah (Tom Jones), Hey Jude (Beatles), Nights in White Satin (Moody Blues) e Congratulations (Clif Richard), no Eurofestival desse mesmo mês de Abril.

A MÃE
Mamãe, tu estás tão longe de mim
Mamãe, sinto que estás a chorar
Não chores a minha ausência
Que um dia hei-de voltar
Não chores e pensa agora
Que o tempo passa depressa
Pede a Deus que te tire esse tormento
Que te abrande o sofrimento
Desse teu formoso rosto
Mamãe, não chores, eu volto, Mãe.

A fila indiana das Berliets que os conduziam para o Uíge nunca mais chegava. Terra batida, barrenta,
pegajenta de mosquitada. E subiam, e desciam …
Pelas cinco da manhã, ao fim de doze horas daquela tormenta, sonolentos e alquebrados, feitos
manteiga por tanto solavanco, alguém berrou da primeira viatura:
– Eh, Companhia, chegamos! Toca a descer e a perfilar para a revista.
Como morcegos assustados, ainda meio sonâmbulos, as viaturas militares iam vomitando toda aquela “carne para canhão”, preparada de armas e bagagens para umas férias, mato fora, sabe-se lá por quanto tempo.
A nascente, a aurora avermelhada aproximava-se a passos de gigante e olhava curiosa aquela tropa
maçarica que nem imaginaria ao que vinha nem por que viera.  À porta de armas do Batalhão, a
sentinela tivera talvez o pesadelo maior da sua vida:
– Meu Sargento, chegaram os Comandos!
O Sargento de Prevenção, chateado por o interromperem do passar pelas brasas e farejando ao longe
aquelas fardas engomadas, logo lhes “tirou as medidas”. Acabou por berrar para o praça:
– Quais Comandos, minha besta-quadrada, são os maçaricos do Puto que vão p’ra Mucaba. Vai acordar o nosso Tenente e Oficial de Prevenção .
Uma hora depois, o Comandante da Unidade, acompanhado do Oficial de Prevenção, aparecia à porta de armas:
– Atenção, Companhia, apresentar armas! – Grunhiu o Capitão.
Um estalejar de mãos nas G3, acompanhando os coices das botas dos soldados no alcatrão da parada,
ressoaram quartel dentro, substituindo-se ao toque de alvorada do corneteiro. Dois boxers,
contrariados por invasão do território, galgaram a porta de armas, arreganhando os caninos àqueles
intrusos. Finalmente, o Comandante, um tal de Tenente-Coronel, quiçá ainda meio ensonado pela
ressaca do dia anterior, correspondeu, contrariado, à ordem de comando e batendo pala aos homens,
autorizou o Capitão a fazer descansar a Companhia.
– Descansar… armas!
O Tenente-Coronel Amoroso ladrou as boas-vindas aos recém chegados.
No seu discurso patriótico apelou a dar cabo de todos os turras na zona e prometia até umas
feriazinhas surpresa no Puto, a quem lhe trouxesse algum troféu como prova.
– “ (…) Portugal é um Império e Angola faz parte dele – ressoava ainda o seu vozeirão, assustando a
passarada que esvoaçou em momento tão solene – por isso, soldados, sede dignos da farda que usais
como os bravos heróis de Pidjiguiti, Mueda e Baixa de Cassange” – rematou.
A Companhia haveria de deslocar-se ainda uns bons 40 quilómetros mais para Norte.
No trajecto, o transístor cantarolava:

ANGOLA É NOSSA

Ó povo heróico português,
Num esforço estóico outra vez
Tens de lutar, vencer, esmagar a vil traição!
P’ra triunfar valor te dá o teres razão
Angola é nossa – gritarei –
É carne, é sangue da nossa grei,
Sem hesitar p’ra defender,
É pelejar até vencer!
Ao invasor castigar coo’o destemor
Ancestral, deter, destroçar!
E gritar: Angola é nossa
É nossa, é nossa
Vencer, escorraçar!
Angola é nossa
Angola é Portugal!…

Desde então, António sentira que a confiança que o animava se começava a esvaziar como um balão.
Seriam os novos senhores da guerra!

MAX

sábado, 24 de outubro de 2015

O FILME

Uma viagem no tempo transportando-nos através do mar e do ar. Nesta visualização todos nós vamos recordar momentos de grande intensidade que vivemos nessa terra que nos acolheu durante 27 meses. Um agradecimento ao nosso "correio" Aurélio de Sousa, que teve a amabilidade de criar este Aerograma.








quarta-feira, 7 de outubro de 2015

SONGO A PARAGEM

Escrevemos nesta povoação momentos multifacetados, a alegria, a tristeza, o medo, a raiva, o amor e um sem número de outras manifestações de estarmos vivos.
Um total de 697 dias que nos fizeram acreditar que por ali ficaríamos, no entanto tudo tem o seu fim e a nossa missão terminou um dia, e como tal deixando para trás a vila do Songo!









                             

sábado, 8 de agosto de 2015

CARTAS DE AMOR NA GUERRA

Cartas da Guerra compila as cartas que um alferes de 28 anos, destacado para Angola, escreveu à mulher. A voz de um namorado, pai e escritor em construção, hoje o autor António Lobo Antunes, tornada personagem colectiva num filme em rodagem.
O homem entrou em casa, de madrugada, avançou para o quarto, como que guiado pela voz da mulher grávida que lia à sua barriga uma carta. A futura mãe tinha em mãos as páginas de uma das missivas de amor que integram um livro: aquele que compila as cartas escritas por um alferes médico de 28 anos, destacado logo após a conclusão do curso de Medicina para uma comissão de serviço em Angola (1971-1973), à mulher grávida que deixara em Lisboa.
“O filme tem a ver com coisas que me interessam, um país a agonizar no fascismo, mas nesse cenário algo que tem a ver com crescimento”, diz Ivo Ferreira, “o crescimento de um autor, de um pensador, alguém que caminha para ser melhor, como namorado, como marido, como pai” – foram as filhas do escritor, Maria José Lobo Antunes e Joana Lobo Antunes, que publicaram em 2007 a edição de D’este viver aqui neste papel descripto: Cartas da Guerra por vontade expressa da mãe de ambas que morreu em 2004.
As cartas são um refúgio. Escreve-se pelo amor, é pelo amor que se sobrevive. As cartas de amor surgem aqui quando o presente não pode ser vivido.”





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