terça-feira, 3 de novembro de 2026

 𝗠𝗜𝗦𝗦𝗔̃𝗢 𝗖𝗨𝗠𝗣𝗥𝗜𝗗𝗔

𝐇𝐚́ 𝐦𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐬𝐚𝐦 𝐧𝐚 𝐚𝐥𝐦𝐚, 𝐞 𝐞𝐬𝐭𝐞 𝐞́ 𝐮𝐦 𝐝𝐞𝐥𝐞𝐬. 𝐂𝐮𝐬𝐭𝐚-𝐦𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐟𝐮𝐧𝐝𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐯𝐞𝐫 𝐚𝐥𝐠𝐮𝐧𝐬 𝐝𝐨𝐬 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨𝐬 𝐜𝐚𝐦𝐚𝐫𝐚𝐝𝐚𝐬 𝐚 𝐭𝐫𝐚𝐯𝐞𝐬𝐬𝐚𝐫 𝐛𝐚𝐭𝐚𝐥𝐡𝐚𝐬 𝐝𝐢𝐟𝐢́𝐜𝐞𝐢𝐬 𝐧𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐭𝐨𝐜𝐚 𝐚̀ 𝐬𝐚𝐮́𝐝𝐞 𝐞 𝐧𝐚̃𝐨 𝐩𝐨𝐝𝐞𝐫 𝐭𝐞̂-𝐥𝐨𝐬 𝐚𝐨 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨 𝐥𝐚𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞 𝐞𝐬𝐭𝐢𝐯𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐡𝐚𝐛𝐢𝐭𝐮𝐚𝐝𝐨𝐬. 𝐀 𝐭𝐨𝐝𝐨𝐬 𝐞𝐥𝐞𝐬 𝐪𝐮𝐞𝐫𝐨 𝐝𝐞𝐢𝐱𝐚𝐫 𝐮𝐦𝐚 𝐩𝐚𝐥𝐚𝐯𝐫𝐚 𝐝𝐞 𝐟𝐨𝐫𝐜̧𝐚, 𝐜𝐨𝐫𝐚𝐠𝐞𝐦 𝐞 𝐞𝐬𝐩𝐞𝐫𝐚𝐧𝐜̧𝐚. 𝐐𝐮𝐞 𝐬𝐚𝐢𝐛𝐚𝐦 𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐬𝐭𝐚̃𝐨 𝐧𝐨𝐬 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐧𝐬𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐞 𝐧𝐨𝐬 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨𝐬 𝐜𝐨𝐫𝐚𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬 𝐭𝐨𝐝𝐨𝐬 𝐨𝐬 𝐝𝐢𝐚𝐬. 𝐀 𝐝𝐢𝐬𝐭𝐚̂𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐨𝐮 𝐚 𝐝𝐨𝐞𝐧𝐜̧𝐚 𝐣𝐚𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐚𝐩𝐚𝐠𝐚𝐫𝐚̃𝐨 𝐨𝐬 𝐥𝐚𝐜̧𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐚𝐦𝐢𝐳𝐚𝐝𝐞, 𝐜𝐚𝐦𝐚𝐫𝐚𝐝𝐚𝐠𝐞𝐦 𝐞 𝐢𝐫𝐦𝐚𝐧𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐨𝐬 𝐮𝐧𝐞𝐦. 𝐍𝐚̃𝐨 𝐞𝐬𝐭𝐚̃𝐨 𝐬𝐨𝐳𝐢𝐧𝐡𝐨𝐬. 𝐍𝐚̃𝐨 𝐯𝐨𝐬 𝐞𝐬𝐪𝐮𝐞𝐜𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐞 𝐧𝐮𝐧𝐜𝐚 𝐯𝐨𝐬 𝐞𝐬𝐪𝐮𝐞𝐜𝐞𝐫𝐞𝐦𝐨𝐬. 𝐅𝐢𝐜𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐚̀ 𝐞𝐬𝐩𝐞𝐫𝐚 𝐝𝐨 𝐝𝐢𝐚 𝐞𝐦 𝐪𝐮𝐞 𝐯𝐨𝐬 𝐩𝐨𝐬𝐬𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐯𝐨𝐥𝐭𝐚𝐫 𝐚 𝐚𝐛𝐫𝐚𝐜̧𝐚𝐫, 𝐜𝐞𝐥𝐞𝐛𝐫𝐚𝐫 𝐜𝐨𝐧𝐯𝐨𝐬𝐜𝐨 𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐢𝐧𝐮𝐚𝐫 𝐚 𝐞𝐬𝐜𝐫𝐞𝐯𝐞𝐫 𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐡𝐢𝐬𝐭𝐨́𝐫𝐢𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐞́ 𝐝𝐞 𝐭𝐨𝐝𝐨𝐬 𝐧𝐨́𝐬. 𝐃𝐞𝐬𝐞𝐣𝐨-𝐯𝐨𝐬 𝐫𝐚́𝐩𝐢𝐝𝐚𝐬 𝐦𝐞𝐥𝐡𝐨𝐫𝐚𝐬 𝐞 𝐦𝐮𝐢𝐭𝐚 𝐟𝐨𝐫𝐜̧𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐞𝐧𝐟𝐫𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫 𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐟𝐚𝐬𝐞 𝐝𝐢𝐟𝐢́𝐜𝐢𝐥. 𝐎𝐧𝐳𝐢𝐦𝐢𝐬𝐭𝐚𝐬 𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞, 𝐡𝐨𝐣𝐞 𝐞 𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞, 𝐚𝐭𝐞́ 𝐚̀ 𝐦𝐨𝐫𝐭𝐞! 𝐔𝐦 𝐟𝐨𝐫𝐭𝐞 𝐞 𝐬𝐞𝐧𝐭𝐢𝐝𝐨 𝐚𝐛𝐫𝐚𝐜̧𝐨 𝐚 𝐭𝐨𝐝𝐨𝐬. 💙






segunda-feira, 2 de novembro de 2026

 DISCURSO EFECTUADO NO ALMOÇO-24-10-26

Meus caros camaradas e amigos,


Olhar para esta mesa hoje é fazer uma viagem no tempo.


É voltar a 1971, lá longe, em Angola, no Songo. Já passaram mais de 50 anos, meio século de vida, mas a verdade é que o tempo não conseguiu apagar aquilo que ali nasceu. A 3411-ONZIMA não foi apenas uma companhia ou uma etapa da nossa juventude; tornou-se numa família que a vida formou e que os anos só fizeram reforçar.


Quero começar por agradecer a cada um de vós por estarem aqui hoje. Este congregar da nossa amizade é um privilégio enorme. Estar aqui é poder relembrar emoções do passado, rir das histórias de sempre e sentir que, no fundo, continuamos a ser os mesmos rapazes que lá estiveram, lado a lado.


Nesta hora de celebração e abraço, é impossível não lembrar aqueles que já não estão fisicamente entre nós. Os camaradas que já partiram deixaram saudades fundas, mas continuam vivos na nossa memória e no coração do nosso grupo. A eles, a nossa mais sentida e carinhosa homenagem.


Uma palavra muito especial também para todos os nossos companheiros que estão a atravessar uma fase menos boa no que toca à saúde. Que a força e o carinho deste nosso grupo cheguem até eles com a certeza de que não estão sós nesta batalha.


Quero enaltecer e agradecer profundamente a todos aqueles que, ano após ano, mantêm este grupo unido e agregador. A amizade dá trabalho a cultivar, e o vosso empenho em manter esta chama acesa é louvável.


Um agradecimento com um abraço muito especial aos nossos camaradas Madeirenses, que nos últimos anos têm feito questão de estar presentes, encurtando distâncias e enriquecendo ainda mais estes nossos encontros. A vossa presença é a prova viva de que a nossa união não tem fronteiras.


Meus amigos, a estrada da vida vai-se encurtando gradualmente, isso é inevitável. Mas enquanto cá estivermos, o que nós queremos é viver! Viver com intensidade, celebrar a amizade e guardar cada um destes momentos no coração.


Um forte abraço a todos e um grande obrigado por fazerem parte da minha história.


Viva a 3411-ONZIMA! Saúde e longa vida a todos!




 𝟱𝟯º 𝗔𝗡𝗜𝗩𝗘𝗥𝗦𝗔́RIO DA ONZIMA

GUIMARÃES-BRITEIROS

Parece que foi ontem, mas já passaram 53 anos desde que chegámos ao Aeroporto de Figo Maduro, naquele inesquecível 24 de outubro de 1973. O tempo passou depressa, levou alguns dos nossos companheiros e trouxe novas vivências, mas nunca conseguiu apagar os laços de amizade que nasceram nessa altura.

Como habitualmente, estarei presente para registar o encontro através de uma reportagem fotográfica, guardando sorrisos, abraços e emoções que merecem ficar para memória futura. Porque recordar é homenagear, e porque cada imagem contará um pouco da história daqueles que continuam a manter vivo o espírito que nos une. 











segunda-feira, 19 de outubro de 2026

 

(4)SAPADORES


O desempenho dos sapadores e da Engenharia Militar durante a Guerra Ultramarina (1961–1974) em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau foi um dos pilares mais críticos e de maior risco de todo o esforço de guerra português. Operando na linha da frente de um conflito assimétrico, os sapadores desempenharam um papel fundamental tanto na proteção direta das tropas como no apoio logístico e infraestrutural.Principais Áreas de Actuação e Desempenho1. Detecção e Desminagem (Contraminas)A ameaça das minas antipessoal e anti-carro e dos engenhos explosivos improvisados (IEDs) colocados pelos movimentos de libertação (PAIGC, FRELIMO, MPLA) era um dos perigos mais constantes nas itinerâncias terrestres.Picagem manual: Na ausência de meios mecânicos sofisticados no início do conflito, a picagem com "ponteiros" e detetores de metais (como os modelos Minex) era feita passo a passo, sob enorme tensão psicológica e sob risco direto de emboscada.Abertura de caminhos: Os sapadores seguiam na cabeça das colunas para garantir a segurança dos reabastecimentos a aquartelamentos isolados.2. Mobilidade e Abertura de Vias ("Picadas")A guerra travou-se em territórios de vasta extensão e fraca rede viária. Os sapadores e a Engenharia foram responsáveis por:Rasgar centenas de quilómetros de novas picadas na selva, savana e mata densa.Lançamento e montagem rápida de pontes militares (estruturas Bailey e pontes de circunstância em madeira local) para cruzar rios e travessias destruídas ou sem acesso.Manutenção e asfaltamento progressivo de vias estratégicas para reduzir a eficácia das minas terrestres.3. Fortificação e Construção de AquartelamentosA sobrevivência de pequenos contingentes isolados no interior dependia do trabalho dos sapadores na engenharia de proteção:Edificação de fortificações, abrigos antiaéreos e antibombardeamento, valas de proteção e vedações de arame farpado em centenas de quartéis, destacamentos e postos avançados.Construção e reparação de pistas de aviação (PMA) em terra batida ou chapa perfurada, cruciais para a evacuação de feridos (aeromedevac) e reabastecimento pela Força Aérea.4. Apoio Técnico a Obras de Infraestrutura Civil e MilitarEm grandes projetos de desenvolvimento e fixação de populações (como os reordenamentos e aldeamentos), as companhias e batalhões de engenharia desempenharam funções cruciais na captação de água, abertura de poços e instalação de redes elétricas e de saneamento básico em zonas remotas.Impacto e Custo HumanoAspetoImpacto no ConflitoRisco OperacionalTaxa de perigosidade extremamente elevada, atuando frequentemente na primeira linha de progressão sem cobertura frontal.Gargalo LogísticoA velocidade de avanço de qualquer operação militar ficava limitada pelo ritmo de desminagem e desobstrução da Engenharia.Inovação TécnicaDesenvolvimento de soluções caseiras e adaptações de viaturas de proteção contra minas e blindagens artesanais no teatro de operações.O trabalho do sapador na guerra colonial ficou marcado pela expressão "Passa-se!" — lema da Engenharia Militar —, simbolizando a determinação em garantir que as forças combatentes e os reabastecimentos chegassem aos destinos mais isolados, independentemente dos obstáculos do terreno ou do inimigo.








domingo, 18 de outubro de 2026

 

Aos resistentes da 3411-Onzima

Desde 1971, une-nos uma amizade forjada ao longo de uma vida cheia de desafios, conquistas, alegrias e dificuldades. Foram anos de altos e baixos, de caminhos diferentes, mas sempre marcados por um valor que nunca se perdeu: a camaradagem.

Partilhámos momentos inesquecíveis, construímos memórias que o tempo não apaga e criámos laços que continuam a resistir ao passar das décadas. É essa amizade sincera que nos traz de volta aos convívios, onde revivemos histórias, renovamos afetos e celebramos a felicidade de continuarmos juntos.

Aos companheiros que já partiram, deixamos uma saudade permanente, feita de recordações que guardamos com carinho e gratidão. A sua presença continua viva nas nossas memórias e nos encontros em que tantas vezes são lembrados.

Aos que permanecem entre nós, um bravo pelo espírito de união que mantêm e um profundo obrigado pela presença, pela amizade e pela vontade de continuarem a alimentar este elo tão especial.

Que a 3411-Onzima continue a ser, acima de tudo, um exemplo de fraternidade, lealdade e amizade duradoura.

Aos que partiram, a nossa homenagem. Aos que continuam, o nosso abraço. A todos, a nossa gratidão.




sábado, 17 de outubro de 2026

 

(3)𝑶𝑷𝑬𝑹𝑨𝑫𝑶𝑹𝑬𝑺 𝑪𝑹𝑰𝑷𝑻𝑶

Durante a Guerra Colonial (1961–1974), o desempenho dos operadores de cripto (Serviço de Cifra das Transmissões Militares) foi considerado de vital importância e de elevadíssimo nível de eficácia operacional.

Apesar de trabalharem longe do grande destaque mediático, a sua atuação garantia a confidencialidade do fluxo de ordens e relatórios estratégicos entre o Estado-Maior Geral, os Comandos-Chefes dos Teatros de Operações (Angola, Guiné e Moçambique) e os setores e batalhões no terreno.

1. Desempenho e Eficácia Operacional

Inviolabilidade das Comunicações: O desempenho do serviço de cifra militar português permitiu manter a segurança absoluta das comunicações de nível estratégico e tático. Não há registo de que os movimentos de libertação (PAIGC, MPLA, FRELIMO) tenham conseguido desencriptar o tráfego codificado pelas forças portuguesas.

Elevada Carga de Trabalho: Operavam em regime contínuo (24 horas por dia) nos Centros Cripto das Chefias de Transmissões. Todo o tráfego sensível — ordens de operações, relatórios de combate, pedidos de evacuação médica, informações de inteligência e mensagens administrativas confidenciais — passava obrigatoriamente pelas mãos dos operadores cripto para codificação e descodificação.

Resistência em Condições Adversas: Nos quartéis de isolamento e sectores no interior de África, trabalhavam sob grande pressão psicológica, em ambientes de calor extremo e sob rigoroso isolamento disciplinar, com restrições severas de contacto social devido ao dever de segredo militar.

2. Meios Técnicos e Processos

Sistemas de Cifra de Bloco e Tabela: Dependendo da importância da mensagem, utilizavam-se sistemas manuais de cifra de bloco único (One-Time Pad - OTP / blocos incondicionais), que garantiam segurança matemática absoluta desde que as tabelas fossem usadas apenas uma vez e destruídas de seguida.

Máquinas de Cifra: Nos escalões superiores (Comandos-Chefes e Regiões Militares), eram utilizadas máquinas de criptografia eletromecânicas para cifrar tráfego telegráfico e radiotelegráfico de grande volume.

Manuseamento Rigoroso de Livros de Cifra: Ao nível das companhias e batalhões, eram usados livros e tabelas de cifra tática, que exigiam grande rapidez de conversão código-texto sob fogo ou em emergências.

3. A Importância da Segurança Criptográfica

Disciplina e Rigor: O treino destes especialistas na Metrópole (em unidades como a Escola Prática de Transmissões) incutia um rigor absoluto no cumprimento das normas de segurança. Qualquer falha técnica ou de disciplina podia expor a localização de uma coluna militar ou comprometer operações secretas.

Destruição de Emergência: Tinham ordens estritas para a destruição imediata de todo o material criptográfico (queima de cadernos de cifra e inutilização de máquinas) em caso de iminência de captura do quartel ou da viatura de transmissões pelo inimigo.

O trabalho dos operadores de cifra foi um dos pilares silenciosos da infraestrutura das Forças Armadas Portuguesas, garantindo que o comando e controlo do exército funcionasse sem fugas de informação crítica.


 

(𝟮)𝗧𝗥𝗔𝗡𝗦𝗠𝗜𝗦𝗦𝗢̃𝗘𝗦 𝗘 𝗔 𝗦𝗨𝗔 𝗜𝗠𝗣𝗢𝗥𝗧𝗔̂𝗡𝗖𝗜𝗔 𝗡𝗔 𝗚𝗨𝗘𝗥𝗥𝗔 𝗖𝗢𝗟𝗢𝗡𝗜𝗔𝗟.


As Transmissões Militares desempenharam um papel estrutural e absolutamente decisivo no teatro de operações da Guerra Colonial (1961–1974) em Angola, Guiné e Moçambique. Em cenários de guerra assimétrica e de contrainsurgência — caracterizados por imensas extensões territoriais, densa vegetação e isolamento geográfico —, a capacidade de comunicar era, na prática, o elemento que sustentava o controlo operacional e a sobrevivência das tropas no terreno.   1. A Importância Estratégica e TáticaCoordenação e Comando: Permitiram aos Comandos do Exército, da Força Aérea e da Armada manter a ligação permanente entre os centros de decisão urbanos (Luanda, Bissau, Lourenço Marques) e os batalhões ou companhias isolados no interior e em zonas de fronteira.Apoio de Fogo e Apoio Aéreo Próximo: A eficácia das operações dependia do contacto rádio imediato. O pedido de apoio aéreo (como as parelhas de T-6 ou caças), o apoio de artilharia ou a orientação da evacuação sanitária através de helicópteros Alouette III exigiam comunicações terra-ar e terra-terra rápidas e sem falhas.Segurança e Aviso Prévio: Em emboscadas e ataques a colunas auto ou aquáticas, o rádio de campanha era a única linha de salvação para solicitar reforços ou reportar a posição de forças inimigas.Coleta de Informações (SINT / Guerra Eletrónica): A interceção de comunicações via rádio das forças de libertação (PAIGC, MPLA, FRELIMO) e o envio de mensagens encriptadas por código Morse (grafia) ou sistemas de cifra garantiam o fluxo seguro de informações estratégicas.2. A Infraestrutura: As Duas Redes de ComunicaçãoPara cobrir Teatros de Operações com realidades geográficas tão distintas, o Serviço de Transmissões estruturou-se em dois grandes pilares:Redes Permanentes (Sistemas Fixos):Redes de estações emissoras e recetoras de alta frequência (HF), pontes de feixes hertzianos e centrais telefónicas/telegrafias locais instaladas nas capitais e setores militares regionais.Garantiam as ligações estratégicas entre Lisboa e os Governos/Comandos-Chefes do Ultramar, bem como a comunicação inter-territorial.Redes de Campanha (Sistemas Móveis/Táticos):Equipamentos portáteis ou montados em viaturas (Unimog, Berliet, Jeep) e embarcações.Utilizados diretamente pelas companhias e caçadores no mato, patrulhas, comandos e forças especiais para controlo de operações locais.3. Principais Equipamentos UtilizadosO operador de rádio ("o transmissões") transportava equipamentos que exigiam grande esforço físico e manutenção rigorosa nas condições climatéricas adversas do Ultramar (humidade, poeira e calor):Rádios de Campanha VHF/HF: Equipamentos emblemáticos como o AN/PRC-10 e, mais tarde, o AN/PRC-25 (e PRC-77), que se tornaram o padrão das patrulhas tácticas pela sua maior fiabilidade em frequência modulada.Rádios de HF para Longa Distância: Rádios como o RACAL ou o BC-1000 e estações GRC (ex.: AN/GRC-9), vitais para comunicações a longa distância entre aquartelamentos e centros de setor através de telefonia ou grafia (código Morse).Geradores e Baterias: A logística das transmissões no mato dependia do transporte contínuo de pilhas secas, baterias recarregáveis e geradores a gasolina.4. O Papel Humano: O Especialista de TransmissõesO militar com a especialidade de Transmissões (seja operador de rádio, radiotelegrafista, montador de linhas ou mecânico de rádio) ocupava uma posição de elevada responsabilidade e perigo:Alvo Prioritário: Em situação de emboscada, o homem do rádio era frequentemente um dos alvos primordiais do inimigo, na tentativa de cortar a capacidade de a unidade pedir reforços ou apoio aéreo.Presença Obrigatória: Não existia operação, patrulha, escolta a colunas ou deslocação sem a presença de pelo menos um transmissões e do respetivo rádio.Abertura de Redes e Manutenção: Além do combate, estes militares asseguravam a montagem de antenas improvisadas (como antenas dipolo no meio da mata), a manutenção da disciplina de rede e a cifra/decifra manual de mensagens confidenciais.Em suma, as Transmissões foram a espinha dorsal de toda a arquitetura operacional da Guerra Colonial. Sem a evolução destas redes e a eficácia das equipas de rádio no terreno, a sustentação de um esforço militar prolongado durante mais de 13 anos em três frentes de combate distintas teria sido do ponto de vista tático e logístico impraticável.

(1)𝐀/𝐏𝐑𝐂-𝟏𝟎 (𝐟𝐫𝐞𝐪𝐮𝐞𝐧𝐭𝐞𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐭𝐫𝐚𝐭𝐚𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐏𝐫𝐢𝐜𝐤 𝟏𝟎) 𝐟𝐨𝐢 𝐮𝐦 𝐫𝐚́𝐝𝐢𝐨 𝐞𝐦𝐢𝐬𝐬𝐨𝐫-𝐫𝐞𝐜𝐞𝐩𝐭𝐨𝐫 𝐩𝐨𝐫𝐭𝐚́𝐭𝐢𝐥 𝐝𝐞 𝐕𝐇𝐅 (𝐕𝐞𝐫𝐲 𝐇𝐢𝐠𝐡 𝐅𝐫𝐞𝐪𝐮𝐞𝐧𝐜𝐲) 𝐚 𝐯𝐚́𝐥𝐯𝐮𝐥𝐚𝐬, 𝐝𝐞 𝐨𝐫𝐢𝐠𝐞𝐦 𝐧𝐨𝐫𝐭𝐞-𝐚𝐦𝐞𝐫𝐢𝐜𝐚𝐧𝐚

(2)AN/PRC-25 é um rádio tático portátil do tipo manpack (transportado às costas) que operava em frequência modulada (FM) na banda VHF, desenvolvido nos Estados Unidos e utilizado em grande escala durante a década de 1960.

(3)𝐑𝐚𝐜𝐚𝐥 𝐨𝐬 𝐫𝐚́𝐝𝐢𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐜𝐨𝐦𝐮𝐧𝐢𝐜𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐞𝐬𝐞𝐦𝐩𝐞𝐧𝐡𝐚𝐫𝐚𝐦 𝐮𝐦 𝐝𝐮𝐫𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐚 𝐆𝐮𝐞𝐫𝐫𝐚 𝐂𝐨𝐥𝐨𝐧𝐢𝐚𝐥 (𝐞𝐬𝐩𝐞𝐜𝐢𝐚𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐢𝐫 𝐝𝐞 𝟏𝟗𝟔𝟖). 𝐄𝐥𝐞𝐬 𝐯𝐢𝐞𝐫𝐚𝐦 𝐬𝐮𝐛𝐬𝐭𝐢𝐭𝐮𝐢𝐫 𝐨𝐬 𝐚𝐧𝐭𝐢𝐠𝐨𝐬 𝐞 𝐩𝐞𝐬𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐞𝐪𝐮𝐢𝐩𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐝𝐚 𝐒𝐞𝐠𝐮𝐧𝐝𝐚 𝐆𝐮𝐞𝐫𝐫𝐚 𝐌𝐮𝐧𝐝𝐢𝐚𝐥 (𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐨 𝐀𝐍/𝐆𝐑𝐂-𝟗), 𝐜𝐮𝐣𝐚 𝐝𝐢𝐦𝐞𝐧𝐬𝐚̃𝐨 𝐝𝐢𝐟𝐢𝐜𝐮𝐥𝐭𝐚𝐯𝐚 𝐬𝐞𝐯𝐞𝐫𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐨 𝐭𝐫𝐚𝐧𝐬𝐩𝐨𝐫𝐭𝐞 𝐞 𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐛𝐚𝐭𝐞 𝐧𝐚𝐬 𝐦𝐚𝐭𝐚𝐬 𝐚𝐟𝐫𝐢𝐜𝐚𝐧𝐚𝐬. 𝐃𝐞𝐬𝐞𝐧𝐯𝐨𝐥𝐯𝐢𝐝𝐨𝐬 𝐢𝐧𝐢𝐜𝐢𝐚𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐩𝐞𝐥𝐚 𝐝𝐢𝐯𝐢𝐬𝐚̃𝐨 𝐬𝐮𝐥-𝐚𝐟𝐫𝐢𝐜𝐚𝐧𝐚 𝐝𝐚 𝐑𝐚𝐜𝐚𝐥 𝐄𝐥𝐞𝐜𝐭𝐫𝐨𝐧𝐢𝐜𝐬, 𝐞𝐬𝐭𝐞𝐬 𝐫𝐚́𝐝𝐢𝐨𝐬 𝐟𝐨𝐫𝐚𝐦 𝐯𝐢𝐭𝐚𝐢𝐬 𝐧𝐚𝐬 𝐫𝐞𝐝𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝐀𝐥𝐭𝐚 𝐅𝐫𝐞𝐪𝐮𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚 (𝐇𝐅). 𝐌𝐚𝐢𝐬 𝐭𝐚𝐫𝐝𝐞, 𝐟𝐨𝐫𝐚𝐦 𝐭𝐚𝐦𝐛𝐞́𝐦 𝐦𝐨𝐧𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐥𝐨𝐜𝐚𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐞𝐦 𝐌𝐨𝐜̧𝐚𝐦𝐛𝐢𝐪𝐮𝐞 𝐞 𝐞𝐦 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥 𝐩𝐞𝐥𝐚 𝐒𝐭𝐚𝐧𝐝𝐚𝐫𝐝

(4)BC-1000 (que integrava o conjunto SCR-300) foi um dos equipamentos de transmissão mais emblemáticos utilizados pelo Exército Português durante a Guerra Colonial (1961–1974). Originalmente desenvolvido nos EUA pela Motorola durante a Segunda Guerra Mundial, este transceptor de mochila foi o primeiro a receber formalmente a alcunha de "walkie-talkie".
No início do conflito no Ultramar (Angola, Guiné e Moçambique), as forças portuguesas dependiam fortemente de material excedentário da Segunda Guerra Mundial. O BC-1000 operava na banda de VHF com modulação em frequência (FM), garantindo comunicações tácticas de curto alcance entre as unidades no terreno e os postos de comando

(5) STORN refere-se a um modelo de equipamento emissor-recetor de rádio (E/R STORN) utilizado pelas Forças Armadas Portuguesas e comandos militares durante a Guerra Colonial (Guerra do Ultramar, 1961–1974).
De acordo com o arquivo histórico do Gabinete do Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas (CEMGFA), estes equipamentos de radiocomunicações desempenharam funções táticas e logísticas fulcrais nos teatros de operações na África subsariana:
• Comunicações táticas e de guarnição: Eram operados para estabelecer a ligação de rede entre os Comandos-Chefe locais (como o Comando Chefe de Moçambique), as zonas militares e as frentes de policiamento no terreno.
• Apoio a campanhas e patrulhas: Foram registados, por exemplo, na coordenação de campanhas da Polícia Militar e no suporte a redes de transmissões aéreas terrestres e terciárias.
• Modelos e frequências: A marca (historicamente ligada a equipamentos portáteis de VHF/UHF, incluindo os conhecidos modelos da Storno/Storn) operava tipicamente em canais de rádio táticos e redes de transmissões de "traskesnakker" (dispositivos portáteis de comunicação/walkie-talkies), permitindo manter o contacto operacional em regiões densas ou isoladas.

(6)O Racal TR-28 (frequentemente referido na gíria militar apenas como TR-28) foi um dos equipamentos de rádio mais importantes e icónicos utilizados pelas Forças Armadas Portuguesas na fase final da Guerra Colonial (Angola, Guiné e Moçambique) e teve também um papel crucial nas comunicações do Movimento das Forças Armadas (MFA) durante a Revolução de 25 de Abril de 1974.
Abaixo detalham-se os principais aspetos históricos e técnicos deste equipamento:
📻 Contexto Histórico e Origem
• O Substituto Necessário: Até ao final da década de 1960, o exército português dependia fortemente do rádio norte-americano AN/GRC-9 (herdado da II Guerra Mundial), que era demasiado pesado e volumoso para as exigências da guerra de guerrilha na selva.
• Desenvolvimento: Em 1967, o Exército Português procurou uma alternativa mais leve e moderna. O processo foi acompanhado por oficiais de transmissões portugueses (o Coronel Mário Leitão e o Major Silva Ramos), resultando num rádio fabricado pela empresa sul-africana Racal Engineering, baseado em modelos já testados na África do Sul.
• Transição Total: A partir de 1973, o TR-28 substituiu por completo os antigos AN/GRC-9 nas redes de longo alcance em Alta Frequência (HF).
⚙️ Características Técnicas e Operação
O rádio destacou-se pela sua fiabilidade, portabilidade e avanço tecnológico para a época:
• Tecnologia: Era totalmente transistorizado, o que reduzia drasticamente o consumo de energia e o aquecimento em comparação com os modelos a válvulas.
• Frequência e Canais: Operava na banda de HF (1,6 a 8 MHz). Dispunha de pré-sintonia por cristal, oferecendo normalmente 24 canais pré-sintonizados.
• Modos de Transmissão: Funcionava tanto em fonia (voz) como em grafia (código Morse). Devido à facilidade de uso em fonia, permitiu que os operadores comunicassem por voz (utilizando o alfabeto fonético internacional), diminuindo a dependência absoluta dos operadores puros de Morse.
• Portabilidade e Alcance:
 • Posto Móvel: Podia ser transportado às costas pelos operadores de transmissões (num saco de lona dedicado). Alimentado por uma bateria incorporada e usando uma antena vertical ou de secções, tinha um alcance médio de cerca de 30 km.
 • Posto Fixo / Acampamento: Quando ligado a uma antena dipolo num posto fixo, a sua potência de saída (máxima de 25W) permitia alcançar distâncias impressionantes de até 400 km, garantindo a ligação entre aquartelamentos isolados e os comandos de setor.












segunda-feira, 14 de setembro de 2026

1-PROGRESSIVAMENTE IREI RESUMIR O DESEMPENHO DOS MILITARES EM CADA UMA DAS ESPECIALIDADES QUE LHES FORAM ATRIBUÍDAS E A SUA PERIGOSIDADE!

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A afirmação de que os condutores auto (motoristas militares) desempenharam uma das especialidades mais perigosas da Guerra Colonial Portuguesa (1961–1974) é amplamente sustentada por dados estatísticos, relatórios militares da época e pela própria natureza da guerra de guerrilha.

Embora as forças de infantaria e comandos estivessem na linha da frente dos combates diretos, os condutores enfrentavam uma ameaça constante, invisível e altamente letal ao longo de milhares de quilómetros de picadas (estradas de terra batida).

Abaixo, demonstram-se os principais fatores que comprovam o extremo perigo desta especialidade.

1. As Estatísticas de Baixas: A Ameaça das Minas

A principal arma das guerrilhas (FRELIMO, MPLA, UNITA e PAIGC) para flagelar as Forças Armadas Portuguesas não era o confronto direto em campo aberto, mas sim a guerra de emboscadas e de minas.

As minas antipessoal e antiveículo (como as minas de fabrico soviético TM-46 ou as minas de madeira cubanas/chinesas) eram enterradas nas vias de comunicação essenciais para o reabastecimento dos aquartelamentos isolados.

O Alvo Primário: As minas antiveículo eram deliberadamente colocadas para explodir à passagem das rodas ou lagartas dos camiões (como os celebres Berliet Tramagal, Unimog ou GMC).

A Posição do Condutor: O motorista estava sentado exatamente sobre ou imediatamente atrás do eixo dianteiro do veículo. Quando a roda acionava o fulminante da mina, a força máxima da explosão direcionava-se verticalmente, destruindo a cabine e atingindo o condutor em cheio.

Impacto Real: Estudos históricos e registos da Liga dos Combatentes apontam que as minas e as emboscadas a colunas auto foram responsáveis por uma percentagem esmagadora das mortes e, muito particularmente, dos militares que ficaram severamente mutilados (deficientes das Forças Armadas).

2. A Vulnerabilidade Absoluta nas Picadas


Ao contrário das forças helitransportadas ou de intervenção rápida, que podiam escolher o momento e o local do terreno para operar, as colunas de reabastecimento logístico tinham rotas previsíveis.

Previsibilidade do Itinerário: Para abastecer um destacamento isolado no Leste de Angola, no Norte de Moçambique ou no interior da Guiné-Bissau, as viaturas tinham obrigatoriamente de circular pelas escassas picadas existentes. A guerrilha sabia perfeitamente por onde os camiões teriam de passar.

O "Efeito Funil" das Colunas: Uma coluna militar (por vezes com dezenas de viaturas) deslocava-se lentamente devido ao peso da carga, ao estado do piso e à necessidade de detetar minas visualmente (as chamadas equipas de "pica-minas"). Se a viatura da frente — muitas vezes conduzida pelo condutor mais exposto — fosse atingida, toda a coluna ficava imobilizada, tornando-se um alvo estático perfeito para uma emboscada subsequente com armas automáticas e morteiros.

3. O Fator Psicológico e o Desgaste Continuado

O perigo de uma especialidade militar não se mede apenas pelo confronto direto, mas pela duração e intensidade do stresse de combate.

"O combatente de infantaria sofria o pico do stresse durante as operações na mata. O condutor auto vivia num estado de tensão contínua a cada quilómetro percorrido, sabendo que o próximo segundo podia ser o último."

O esforço físico e mental exigido a estes militares era brutal:

Condução por estradas de lama profunda (na época das chuvas) ou poeira sufocante que retirava qualquer visibilidade.

A responsabilidade de transportar vidas humanas (as secções de infantaria iam na caixa de carga) e material sensível, como munições e combustível, o que transformava o camião numa autêntica bomba relógio em caso de ataque.

A impossibilidade de se abrigar eficazmente: em caso de emboscada, o condutor estava preso atrás do volante, num habitáculo estreito, sendo frequentemente o primeiro alvo dos atiradores emboscados para paralisar a viatura.

4. Blindagens Artesanais: Prova da Janela de Perigo

A maior prova de que a especialidade de condutor auto era considerada de risco extremo reside nas modificações de emergência que a engenharia militar e os próprios soldados tiveram de improvisar ao longo da guerra.

As viaturas pesadas originais não tinham qualquer proteção contra minas. Para tentar salvar a vida dos condutores, foram implementadas soluções como:

Sacos de areia colocados no piso da cabine e sobre os guarda-lamas para absorver o impacto das explosões.

Placas de aço adicionadas localmente nas portas e no chão (as chamadas viaturas "blindadas" ou "vacinadas").

Remoção de capotas e portas em certas zonas para permitir que o condutor fosse projetado para fora ou pudesse abandonar o veículo instantaneamente em caso de emboscada, evitando ficar preso nas ferragens em chamas.

Conclusão

A análise histórica da Guerra Colonial demonstra de forma clara que os condutores auto não exerciam uma função meramente secundária ou de retaguarda. No teatro de operações africano, onde as linhas da frente não existiam e o território era controlado através de eixos rodoviários precários, o ato de conduzir transformou-se numa das missões mais perigosas, exigentes e com maior probabilidade de resultar em morte ou invalidez grave.


domingo, 8 de fevereiro de 2026

 A Companhia de Caçadores 3411 (CCAÇ 3411), conhecida pelo nome de guerra Onzima, foi uma unidade de infantaria portuguesa que esteve colocada em Angola, com base na vila do Songo (então distrito do Uíge), entre 1971 e 1973, durante a Guerra do Ultramar.

Dados principais da Companhia

  • Designação: Companhia de Caçadores 3411 (CCAÇ 3411), nome de guerra “Onzima”.

  • Teatro de operações: Norte de Angola, vila do Songo, região rica em café, com várias fazendas coloniais.

  • Período da comissão: Cerca de 27 meses, entre 1971 e 1973, com base operacional no Songo.

  • Dependência: Integrada na Região Militar de Angola; a nível distrital articulava‑se com Carmona (capital do Uíge) e Negage (base aérea e apoio direto).

Missão e vivência no Songo

  • Tipo de unidade: Companhia de caçadores de infantaria ligeira, vocacionada para operações de contra‑guerrilha (patrulhamentos, escoltas, proteção de povoações e eixos viários).

  • Zona de atuação: Songo como base, com saídas para áreas em redor (estradas, fazendas de café, pequenos povoados), num triângulo operacional que ligava Songo, Carmona e Negage, apelidado pelos veteranos de “triângulo das Bermudas”.​

  • Condições de vida: Alojamentos inicialmente em casas civis adaptadas, clima quente e poeirento, alguns momentos de lazer como idas à “piscina” perto do Songo para banhos e convívio entre camaradas.​

Memória, blogues e encontros

  • Blog “ONZIMA‑CCAÇ.3411 – ANGOLA 71/73 – SONGO”: reúne crónicas, fotografias, listas de antigos militares e relatos do dia a dia da companhia no Songo.

  • Página dedicada na “Guerra do Ultramar / Veteranos”: regista que a CCAÇ 3411 serviu o Estado Português em Angola, no Songo, de 1971 a 1973, e divulga convívios (almoços anuais, como o de 2013) dos antigos combatentes.

  • Encontros atuais: veteranos da Onzima continuam a organizar almoços‑convívio e comemorações dos aniversários do regresso, preservando a memória da companhia e o espírito de camaradagem.


OUTRORA

01 de Março de 2008 A construção do blogue da Onzima, teve como intenção dar a conhecer a nossa vivência por terras de Angola. Dei a conh...