sábado, 17 de outubro de 2026

(𝟮)𝗧𝗥𝗔𝗡𝗦𝗠𝗜𝗦𝗦𝗢̃𝗘𝗦 𝗘 𝗔 𝗦𝗨𝗔 𝗜𝗠𝗣𝗢𝗥𝗧𝗔̂𝗡𝗖𝗜𝗔 𝗡𝗔 𝗚𝗨𝗘𝗥𝗥𝗔 𝗖𝗢𝗟𝗢𝗡𝗜𝗔𝗟.


As Transmissões Militares desempenharam um papel estrutural e absolutamente decisivo no teatro de operações da Guerra Colonial (1961–1974) em Angola, Guiné e Moçambique. Em cenários de guerra assimétrica e de contrainsurgência — caracterizados por imensas extensões territoriais, densa vegetação e isolamento geográfico —, a capacidade de comunicar era, na prática, o elemento que sustentava o controlo operacional e a sobrevivência das tropas no terreno.   1. A Importância Estratégica e TáticaCoordenação e Comando: Permitiram aos Comandos do Exército, da Força Aérea e da Armada manter a ligação permanente entre os centros de decisão urbanos (Luanda, Bissau, Lourenço Marques) e os batalhões ou companhias isolados no interior e em zonas de fronteira.Apoio de Fogo e Apoio Aéreo Próximo: A eficácia das operações dependia do contacto rádio imediato. O pedido de apoio aéreo (como as parelhas de T-6 ou caças), o apoio de artilharia ou a orientação da evacuação sanitária através de helicópteros Alouette III exigiam comunicações terra-ar e terra-terra rápidas e sem falhas.Segurança e Aviso Prévio: Em emboscadas e ataques a colunas auto ou aquáticas, o rádio de campanha era a única linha de salvação para solicitar reforços ou reportar a posição de forças inimigas.Coleta de Informações (SINT / Guerra Eletrónica): A interceção de comunicações via rádio das forças de libertação (PAIGC, MPLA, FRELIMO) e o envio de mensagens encriptadas por código Morse (grafia) ou sistemas de cifra garantiam o fluxo seguro de informações estratégicas.2. A Infraestrutura: As Duas Redes de ComunicaçãoPara cobrir Teatros de Operações com realidades geográficas tão distintas, o Serviço de Transmissões estruturou-se em dois grandes pilares:Redes Permanentes (Sistemas Fixos):Redes de estações emissoras e recetoras de alta frequência (HF), pontes de feixes hertzianos e centrais telefónicas/telegrafias locais instaladas nas capitais e setores militares regionais.Garantiam as ligações estratégicas entre Lisboa e os Governos/Comandos-Chefes do Ultramar, bem como a comunicação inter-territorial.Redes de Campanha (Sistemas Móveis/Táticos):Equipamentos portáteis ou montados em viaturas (Unimog, Berliet, Jeep) e embarcações.Utilizados diretamente pelas companhias e caçadores no mato, patrulhas, comandos e forças especiais para controlo de operações locais.3. Principais Equipamentos UtilizadosO operador de rádio ("o transmissões") transportava equipamentos que exigiam grande esforço físico e manutenção rigorosa nas condições climatéricas adversas do Ultramar (humidade, poeira e calor):Rádios de Campanha VHF/HF: Equipamentos emblemáticos como o AN/PRC-10 e, mais tarde, o AN/PRC-25 (e PRC-77), que se tornaram o padrão das patrulhas tácticas pela sua maior fiabilidade em frequência modulada.Rádios de HF para Longa Distância: Rádios como o RACAL ou o BC-1000 e estações GRC (ex.: AN/GRC-9), vitais para comunicações a longa distância entre aquartelamentos e centros de setor através de telefonia ou grafia (código Morse).Geradores e Baterias: A logística das transmissões no mato dependia do transporte contínuo de pilhas secas, baterias recarregáveis e geradores a gasolina.4. O Papel Humano: O Especialista de TransmissõesO militar com a especialidade de Transmissões (seja operador de rádio, radiotelegrafista, montador de linhas ou mecânico de rádio) ocupava uma posição de elevada responsabilidade e perigo:Alvo Prioritário: Em situação de emboscada, o homem do rádio era frequentemente um dos alvos primordiais do inimigo, na tentativa de cortar a capacidade de a unidade pedir reforços ou apoio aéreo.Presença Obrigatória: Não existia operação, patrulha, escolta a colunas ou deslocação sem a presença de pelo menos um transmissões e do respetivo rádio.Abertura de Redes e Manutenção: Além do combate, estes militares asseguravam a montagem de antenas improvisadas (como antenas dipolo no meio da mata), a manutenção da disciplina de rede e a cifra/decifra manual de mensagens confidenciais.Em suma, as Transmissões foram a espinha dorsal de toda a arquitetura operacional da Guerra Colonial. Sem a evolução destas redes e a eficácia das equipas de rádio no terreno, a sustentação de um esforço militar prolongado durante mais de 13 anos em três frentes de combate distintas teria sido do ponto de vista tático e logístico impraticável.

(1)𝐀/𝐏𝐑𝐂-𝟏𝟎 (𝐟𝐫𝐞𝐪𝐮𝐞𝐧𝐭𝐞𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐭𝐫𝐚𝐭𝐚𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐏𝐫𝐢𝐜𝐤 𝟏𝟎) 𝐟𝐨𝐢 𝐮𝐦 𝐫𝐚́𝐝𝐢𝐨 𝐞𝐦𝐢𝐬𝐬𝐨𝐫-𝐫𝐞𝐜𝐞𝐩𝐭𝐨𝐫 𝐩𝐨𝐫𝐭𝐚́𝐭𝐢𝐥 𝐝𝐞 𝐕𝐇𝐅 (𝐕𝐞𝐫𝐲 𝐇𝐢𝐠𝐡 𝐅𝐫𝐞𝐪𝐮𝐞𝐧𝐜𝐲) 𝐚 𝐯𝐚́𝐥𝐯𝐮𝐥𝐚𝐬, 𝐝𝐞 𝐨𝐫𝐢𝐠𝐞𝐦 𝐧𝐨𝐫𝐭𝐞-𝐚𝐦𝐞𝐫𝐢𝐜𝐚𝐧𝐚

(2)AN/PRC-25 é um rádio tático portátil do tipo manpack (transportado às costas) que operava em frequência modulada (FM) na banda VHF, desenvolvido nos Estados Unidos e utilizado em grande escala durante a década de 1960.

(3)𝐑𝐚𝐜𝐚𝐥 𝐨𝐬 𝐫𝐚́𝐝𝐢𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐜𝐨𝐦𝐮𝐧𝐢𝐜𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐞𝐬𝐞𝐦𝐩𝐞𝐧𝐡𝐚𝐫𝐚𝐦 𝐮𝐦 𝐝𝐮𝐫𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐚 𝐆𝐮𝐞𝐫𝐫𝐚 𝐂𝐨𝐥𝐨𝐧𝐢𝐚𝐥 (𝐞𝐬𝐩𝐞𝐜𝐢𝐚𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐭𝐢𝐫 𝐝𝐞 𝟏𝟗𝟔𝟖). 𝐄𝐥𝐞𝐬 𝐯𝐢𝐞𝐫𝐚𝐦 𝐬𝐮𝐛𝐬𝐭𝐢𝐭𝐮𝐢𝐫 𝐨𝐬 𝐚𝐧𝐭𝐢𝐠𝐨𝐬 𝐞 𝐩𝐞𝐬𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐞𝐪𝐮𝐢𝐩𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐝𝐚 𝐒𝐞𝐠𝐮𝐧𝐝𝐚 𝐆𝐮𝐞𝐫𝐫𝐚 𝐌𝐮𝐧𝐝𝐢𝐚𝐥 (𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐨 𝐀𝐍/𝐆𝐑𝐂-𝟗), 𝐜𝐮𝐣𝐚 𝐝𝐢𝐦𝐞𝐧𝐬𝐚̃𝐨 𝐝𝐢𝐟𝐢𝐜𝐮𝐥𝐭𝐚𝐯𝐚 𝐬𝐞𝐯𝐞𝐫𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐨 𝐭𝐫𝐚𝐧𝐬𝐩𝐨𝐫𝐭𝐞 𝐞 𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐛𝐚𝐭𝐞 𝐧𝐚𝐬 𝐦𝐚𝐭𝐚𝐬 𝐚𝐟𝐫𝐢𝐜𝐚𝐧𝐚𝐬. 𝐃𝐞𝐬𝐞𝐧𝐯𝐨𝐥𝐯𝐢𝐝𝐨𝐬 𝐢𝐧𝐢𝐜𝐢𝐚𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐩𝐞𝐥𝐚 𝐝𝐢𝐯𝐢𝐬𝐚̃𝐨 𝐬𝐮𝐥-𝐚𝐟𝐫𝐢𝐜𝐚𝐧𝐚 𝐝𝐚 𝐑𝐚𝐜𝐚𝐥 𝐄𝐥𝐞𝐜𝐭𝐫𝐨𝐧𝐢𝐜𝐬, 𝐞𝐬𝐭𝐞𝐬 𝐫𝐚́𝐝𝐢𝐨𝐬 𝐟𝐨𝐫𝐚𝐦 𝐯𝐢𝐭𝐚𝐢𝐬 𝐧𝐚𝐬 𝐫𝐞𝐝𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝐀𝐥𝐭𝐚 𝐅𝐫𝐞𝐪𝐮𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚 (𝐇𝐅). 𝐌𝐚𝐢𝐬 𝐭𝐚𝐫𝐝𝐞, 𝐟𝐨𝐫𝐚𝐦 𝐭𝐚𝐦𝐛𝐞́𝐦 𝐦𝐨𝐧𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐥𝐨𝐜𝐚𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐞𝐦 𝐌𝐨𝐜̧𝐚𝐦𝐛𝐢𝐪𝐮𝐞 𝐞 𝐞𝐦 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥 𝐩𝐞𝐥𝐚 𝐒𝐭𝐚𝐧𝐝𝐚𝐫𝐝

(4)BC-1000 (que integrava o conjunto SCR-300) foi um dos equipamentos de transmissão mais emblemáticos utilizados pelo Exército Português durante a Guerra Colonial (1961–1974). Originalmente desenvolvido nos EUA pela Motorola durante a Segunda Guerra Mundial, este transceptor de mochila foi o primeiro a receber formalmente a alcunha de "walkie-talkie".
No início do conflito no Ultramar (Angola, Guiné e Moçambique), as forças portuguesas dependiam fortemente de material excedentário da Segunda Guerra Mundial. O BC-1000 operava na banda de VHF com modulação em frequência (FM), garantindo comunicações tácticas de curto alcance entre as unidades no terreno e os postos de comando

(5) STORN refere-se a um modelo de equipamento emissor-recetor de rádio (E/R STORN) utilizado pelas Forças Armadas Portuguesas e comandos militares durante a Guerra Colonial (Guerra do Ultramar, 1961–1974).
De acordo com o arquivo histórico do Gabinete do Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas (CEMGFA), estes equipamentos de radiocomunicações desempenharam funções táticas e logísticas fulcrais nos teatros de operações na África subsariana:
• Comunicações táticas e de guarnição: Eram operados para estabelecer a ligação de rede entre os Comandos-Chefe locais (como o Comando Chefe de Moçambique), as zonas militares e as frentes de policiamento no terreno.
• Apoio a campanhas e patrulhas: Foram registados, por exemplo, na coordenação de campanhas da Polícia Militar e no suporte a redes de transmissões aéreas terrestres e terciárias.
• Modelos e frequências: A marca (historicamente ligada a equipamentos portáteis de VHF/UHF, incluindo os conhecidos modelos da Storno/Storn) operava tipicamente em canais de rádio táticos e redes de transmissões de "traskesnakker" (dispositivos portáteis de comunicação/walkie-talkies), permitindo manter o contacto operacional em regiões densas ou isoladas.

(6)O Racal TR-28 (frequentemente referido na gíria militar apenas como TR-28) foi um dos equipamentos de rádio mais importantes e icónicos utilizados pelas Forças Armadas Portuguesas na fase final da Guerra Colonial (Angola, Guiné e Moçambique) e teve também um papel crucial nas comunicações do Movimento das Forças Armadas (MFA) durante a Revolução de 25 de Abril de 1974.
Abaixo detalham-se os principais aspetos históricos e técnicos deste equipamento:
📻 Contexto Histórico e Origem
• O Substituto Necessário: Até ao final da década de 1960, o exército português dependia fortemente do rádio norte-americano AN/GRC-9 (herdado da II Guerra Mundial), que era demasiado pesado e volumoso para as exigências da guerra de guerrilha na selva.
• Desenvolvimento: Em 1967, o Exército Português procurou uma alternativa mais leve e moderna. O processo foi acompanhado por oficiais de transmissões portugueses (o Coronel Mário Leitão e o Major Silva Ramos), resultando num rádio fabricado pela empresa sul-africana Racal Engineering, baseado em modelos já testados na África do Sul.
• Transição Total: A partir de 1973, o TR-28 substituiu por completo os antigos AN/GRC-9 nas redes de longo alcance em Alta Frequência (HF).
⚙️ Características Técnicas e Operação
O rádio destacou-se pela sua fiabilidade, portabilidade e avanço tecnológico para a época:
• Tecnologia: Era totalmente transistorizado, o que reduzia drasticamente o consumo de energia e o aquecimento em comparação com os modelos a válvulas.
• Frequência e Canais: Operava na banda de HF (1,6 a 8 MHz). Dispunha de pré-sintonia por cristal, oferecendo normalmente 24 canais pré-sintonizados.
• Modos de Transmissão: Funcionava tanto em fonia (voz) como em grafia (código Morse). Devido à facilidade de uso em fonia, permitiu que os operadores comunicassem por voz (utilizando o alfabeto fonético internacional), diminuindo a dependência absoluta dos operadores puros de Morse.
• Portabilidade e Alcance:
 • Posto Móvel: Podia ser transportado às costas pelos operadores de transmissões (num saco de lona dedicado). Alimentado por uma bateria incorporada e usando uma antena vertical ou de secções, tinha um alcance médio de cerca de 30 km.
 • Posto Fixo / Acampamento: Quando ligado a uma antena dipolo num posto fixo, a sua potência de saída (máxima de 25W) permitia alcançar distâncias impressionantes de até 400 km, garantindo a ligação entre aquartelamentos isolados e os comandos de setor.












segunda-feira, 14 de setembro de 2026

1-PROGRESSIVAMENTE IREI RESUMIR O DESEMPENHO DOS MILITARES EM CADA UMA DAS ESPECIALIDADES QUE LHES FORAM ATRIBUÍDAS E A SUA PERIGOSIDADE!

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A afirmação de que os condutores auto (motoristas militares) desempenharam uma das especialidades mais perigosas da Guerra Colonial Portuguesa (1961–1974) é amplamente sustentada por dados estatísticos, relatórios militares da época e pela própria natureza da guerra de guerrilha.

Embora as forças de infantaria e comandos estivessem na linha da frente dos combates diretos, os condutores enfrentavam uma ameaça constante, invisível e altamente letal ao longo de milhares de quilómetros de picadas (estradas de terra batida).

Abaixo, demonstram-se os principais fatores que comprovam o extremo perigo desta especialidade.

1. As Estatísticas de Baixas: A Ameaça das Minas

A principal arma das guerrilhas (FRELIMO, MPLA, UNITA e PAIGC) para flagelar as Forças Armadas Portuguesas não era o confronto direto em campo aberto, mas sim a guerra de emboscadas e de minas.

As minas antipessoal e antiveículo (como as minas de fabrico soviético TM-46 ou as minas de madeira cubanas/chinesas) eram enterradas nas vias de comunicação essenciais para o reabastecimento dos aquartelamentos isolados.

O Alvo Primário: As minas antiveículo eram deliberadamente colocadas para explodir à passagem das rodas ou lagartas dos camiões (como os celebres Berliet Tramagal, Unimog ou GMC).

A Posição do Condutor: O motorista estava sentado exatamente sobre ou imediatamente atrás do eixo dianteiro do veículo. Quando a roda acionava o fulminante da mina, a força máxima da explosão direcionava-se verticalmente, destruindo a cabine e atingindo o condutor em cheio.

Impacto Real: Estudos históricos e registos da Liga dos Combatentes apontam que as minas e as emboscadas a colunas auto foram responsáveis por uma percentagem esmagadora das mortes e, muito particularmente, dos militares que ficaram severamente mutilados (deficientes das Forças Armadas).

2. A Vulnerabilidade Absoluta nas Picadas


Ao contrário das forças helitransportadas ou de intervenção rápida, que podiam escolher o momento e o local do terreno para operar, as colunas de reabastecimento logístico tinham rotas previsíveis.

Previsibilidade do Itinerário: Para abastecer um destacamento isolado no Leste de Angola, no Norte de Moçambique ou no interior da Guiné-Bissau, as viaturas tinham obrigatoriamente de circular pelas escassas picadas existentes. A guerrilha sabia perfeitamente por onde os camiões teriam de passar.

O "Efeito Funil" das Colunas: Uma coluna militar (por vezes com dezenas de viaturas) deslocava-se lentamente devido ao peso da carga, ao estado do piso e à necessidade de detetar minas visualmente (as chamadas equipas de "pica-minas"). Se a viatura da frente — muitas vezes conduzida pelo condutor mais exposto — fosse atingida, toda a coluna ficava imobilizada, tornando-se um alvo estático perfeito para uma emboscada subsequente com armas automáticas e morteiros.

3. O Fator Psicológico e o Desgaste Continuado

O perigo de uma especialidade militar não se mede apenas pelo confronto direto, mas pela duração e intensidade do stresse de combate.

"O combatente de infantaria sofria o pico do stresse durante as operações na mata. O condutor auto vivia num estado de tensão contínua a cada quilómetro percorrido, sabendo que o próximo segundo podia ser o último."

O esforço físico e mental exigido a estes militares era brutal:

Condução por estradas de lama profunda (na época das chuvas) ou poeira sufocante que retirava qualquer visibilidade.

A responsabilidade de transportar vidas humanas (as secções de infantaria iam na caixa de carga) e material sensível, como munições e combustível, o que transformava o camião numa autêntica bomba relógio em caso de ataque.

A impossibilidade de se abrigar eficazmente: em caso de emboscada, o condutor estava preso atrás do volante, num habitáculo estreito, sendo frequentemente o primeiro alvo dos atiradores emboscados para paralisar a viatura.

4. Blindagens Artesanais: Prova da Janela de Perigo

A maior prova de que a especialidade de condutor auto era considerada de risco extremo reside nas modificações de emergência que a engenharia militar e os próprios soldados tiveram de improvisar ao longo da guerra.

As viaturas pesadas originais não tinham qualquer proteção contra minas. Para tentar salvar a vida dos condutores, foram implementadas soluções como:

Sacos de areia colocados no piso da cabine e sobre os guarda-lamas para absorver o impacto das explosões.

Placas de aço adicionadas localmente nas portas e no chão (as chamadas viaturas "blindadas" ou "vacinadas").

Remoção de capotas e portas em certas zonas para permitir que o condutor fosse projetado para fora ou pudesse abandonar o veículo instantaneamente em caso de emboscada, evitando ficar preso nas ferragens em chamas.

Conclusão

A análise histórica da Guerra Colonial demonstra de forma clara que os condutores auto não exerciam uma função meramente secundária ou de retaguarda. No teatro de operações africano, onde as linhas da frente não existiam e o território era controlado através de eixos rodoviários precários, o ato de conduzir transformou-se numa das missões mais perigosas, exigentes e com maior probabilidade de resultar em morte ou invalidez grave.


domingo, 8 de fevereiro de 2026

 A Companhia de Caçadores 3411 (CCAÇ 3411), conhecida pelo nome de guerra Onzima, foi uma unidade de infantaria portuguesa que esteve colocada em Angola, com base na vila do Songo (então distrito do Uíge), entre 1971 e 1973, durante a Guerra do Ultramar.

Dados principais da Companhia

  • Designação: Companhia de Caçadores 3411 (CCAÇ 3411), nome de guerra “Onzima”.

  • Teatro de operações: Norte de Angola, vila do Songo, região rica em café, com várias fazendas coloniais.

  • Período da comissão: Cerca de 27 meses, entre 1971 e 1973, com base operacional no Songo.

  • Dependência: Integrada na Região Militar de Angola; a nível distrital articulava‑se com Carmona (capital do Uíge) e Negage (base aérea e apoio direto).

Missão e vivência no Songo

  • Tipo de unidade: Companhia de caçadores de infantaria ligeira, vocacionada para operações de contra‑guerrilha (patrulhamentos, escoltas, proteção de povoações e eixos viários).

  • Zona de atuação: Songo como base, com saídas para áreas em redor (estradas, fazendas de café, pequenos povoados), num triângulo operacional que ligava Songo, Carmona e Negage, apelidado pelos veteranos de “triângulo das Bermudas”.​

  • Condições de vida: Alojamentos inicialmente em casas civis adaptadas, clima quente e poeirento, alguns momentos de lazer como idas à “piscina” perto do Songo para banhos e convívio entre camaradas.​

Memória, blogues e encontros

  • Blog “ONZIMA‑CCAÇ.3411 – ANGOLA 71/73 – SONGO”: reúne crónicas, fotografias, listas de antigos militares e relatos do dia a dia da companhia no Songo.

  • Página dedicada na “Guerra do Ultramar / Veteranos”: regista que a CCAÇ 3411 serviu o Estado Português em Angola, no Songo, de 1971 a 1973, e divulga convívios (almoços anuais, como o de 2013) dos antigos combatentes.

  • Encontros atuais: veteranos da Onzima continuam a organizar almoços‑convívio e comemorações dos aniversários do regresso, preservando a memória da companhia e o espírito de camaradagem.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

 16º Almoço convívio na Madeira em 25 de           Outubro de 2025


O 1º almoço realizado na Madeira(Encumeada) com a intervenção do Pinto, Nóbrega e Jorge madeirenses de gema e com a colaboração da Dtª Sara(filha do ex- Alferes Rei) na organização e planificação no Continente.Para memória futura aqui ficam os camaradas que se deslocaram para a Madeira:

Lino Rei
Aurélio Sousa
Albano Leite
Ílidio Aguiar
Abílio Castelo
Bernardo Pegado
Joaquim Romão
José Coelho
José Alves
José Castro
Luís Oliveira
Manuel Amaral
Mário Morgado
Orlando Castro

52º aniversário do regresso da CCaçadores 3411 de Angola-Songo a Portugal. A Onzima esteve 27 meses sediada no Songo durante os anos de 1971 a 1973.

Em termos de almoços convívios foram realizados durante o período que mediou entre 1973(n/chegada) e este convívio na Madeira perfizemos um total de 16 encontros. O 1º convívio foi comemorado no ano de 1996 em Valadares- Porto, depois fomos intercalando, sempre com a missão de não deixar-mos quebrar a nossa ligação.


Principais motivos dos convíviosReforçar a camaradagem e a amizade forjadas na tropa, muitas vezes descritas como laços únicos que perduram a vida inteira.

​Partilhar memórias, contar histórias e construir uma memória coletiva da Guerra Colonial,evitando o esquecimento da experiência vivida.



​Prestar apoio emocional entre quem “fala a mesma língua” do trauma, aliviando solidão, stress de guerra e outros problemas psicológicos.

​Função social e simbólica

Sentir reconhecimento e dignidade, num grupo onde o papel de antigo combatente é valorizado e respeitado, muitas vezes mais do que na sociedade em geral

sábado, 11 de janeiro de 2025

𝟏5º 𝐂𝐎𝐍𝐕𝐈́𝐕𝐈𝐎 𝐃𝐀 𝐎𝐍𝐙𝐈𝐌𝐀 𝐄𝐌 𝐁𝐑𝐀𝐆𝐀 𝐄𝐌 𝟐𝟔-𝟏𝟎-𝟐𝟎𝟐𝟒

 Passados 51 anos o "pessoal" da 3411 com alguns dos seus familiares e pela batuta do Lino Rei concentraram-se em Braga no restaurante Espaço 12, onde desfrutaram de um excelente cardápio e voltaram a recordar momentos e emoções que se entrelaçaram com a saudade de tempos passados. Por motivos de falta de saúde não me foi possível comparecer o que me deixou bastante frustado, mas a vida tem destas vicissitudes. Segundo opinião generalizada foi um excelente convívio  onde não faltou a pianista de serviço Sara Lobo filha do Lino Rei e que abrilhantou com um Parabéns a você(Onzima) cantado em uníssono pela "rapaziada" da 3411 que estiveram presentes no evento incluindo os "madeirenses" que atravessaram o Atlântico para brindar.
Saúde para todos e que o próximo convívio seja tão bom ou melhor que este.






quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

𝐀𝐧𝐨 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟓

 𝐎 𝐚𝐧𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐬𝐞 𝐢𝐧𝐢𝐜𝐢𝐚 𝐞́ 𝐮𝐦𝐚 𝐧𝐨𝐯𝐚 𝐨𝐩𝐨𝐫𝐭𝐮𝐧𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐬𝐨𝐧𝐡𝐚𝐫, 𝐩𝐥𝐚𝐧𝐞𝐣𝐚𝐫 𝐞 𝐯𝐢𝐯𝐞𝐫 𝐢𝐧𝐭𝐞𝐧𝐬𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐜𝐚𝐝𝐚 𝐦𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨. 𝐐𝐮𝐞 𝐩𝐨𝐬𝐬𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐭𝐫𝐚𝐧𝐬𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚𝐫 𝐝𝐞𝐬𝐞𝐣𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐫𝐞𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞.




segunda-feira, 14 de outubro de 2024

𝐎𝐒 𝐇𝐄𝐑Ó𝐈𝐒 𝐓𝐀𝐌𝐁É𝐌 𝐒𝐄 𝐀𝐁𝐀𝐓𝐄𝐌!


𝐎𝐒 𝐇𝐄𝐑Ó𝐈𝐒 𝐓𝐀𝐌𝐁É𝐌 𝐒𝐄 𝐀𝐁𝐀𝐓𝐄𝐌!







Armando Silva de Jesus

 

Soldado Atirador de Infantaria, n.º 17320271

 

Companhia de Caçadores 3411

 

(Batalhão Independente de Infantaria 19)

 

Cruz de Guerra, de 3.ª classe

(Título póstumo)


Mais informação carregar no link.









terça-feira, 5 de dezembro de 2023

O ÚLTIMO "COMBATE" FINAL

 




Em 1996 passados 23 anos do nosso regresso a Portugal(1973) encetei juntamente com o Beja na organização dos almoços convívio da C.Caç. 3411(Onzima) foi um percurso por vezes difícil mas nunca nos faltou a vontade de congregar o máximo possível de camaradas/companheiros que diariamente conviveram durante 27 meses e que juntos suprimos muitos momentos maus e cheios de incertezas.

Durante 27 anos realizámos estes encontros (1996/2023) tendo eu realizado os últimos encontros, viajámos de Norte a Sul na procura do melhor local para podermos desfrutar de um são convívio e exorcizar velhas recordações da guerra.

Sentimos que nesses encontros reencontramos outra vez os 20 anos e nessa altura nada nos fazia parar, o dia seguinte era sempre o mais importante, era o sinal de que estávamos vivos.

Este encontro em Águeda (28-10-1923) foi o meu adeus a um percurso que me trouxe vários momentos de puro entrelaçar de emoções fortes e que constituíram momentos de pura camaradagem. Todos temos o momento certo para sair e o meu chegou.

Quero no entanto deixar aqui um pódio dos mais colaborantes neste ciclo de convívios para que fiquem como memória futuro.

Um obrigado do coração a todos aqueles que sentiram o apelo da chamada

Até sempre camaradas/amigos de sempre.


1º




2º


3º

           

OUTRORA

01 de Março de 2008 A construção do blogue da Onzima, teve como intenção dar a conhecer a nossa vivência por terras de Angola. Dei a conh...