segunda-feira, 14 de setembro de 2026

1-PROGRESSIVAMENTE IREI RESUMIR O DESEMPENHO DOS MILITARES EM CADA UMA DAS ESPECIALIDADES QUE LHES FORAM ATRIBUÍDAS E A SUA PERIGOSIDADE!

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A afirmação de que os condutores auto (motoristas militares) desempenharam uma das especialidades mais perigosas da Guerra Colonial Portuguesa (1961–1974) é amplamente sustentada por dados estatísticos, relatórios militares da época e pela própria natureza da guerra de guerrilha.

Embora as forças de infantaria e comandos estivessem na linha da frente dos combates diretos, os condutores enfrentavam uma ameaça constante, invisível e altamente letal ao longo de milhares de quilómetros de picadas (estradas de terra batida).

Abaixo, demonstram-se os principais fatores que comprovam o extremo perigo desta especialidade.

1. As Estatísticas de Baixas: A Ameaça das Minas

A principal arma das guerrilhas (FRELIMO, MPLA, UNITA e PAIGC) para flagelar as Forças Armadas Portuguesas não era o confronto direto em campo aberto, mas sim a guerra de emboscadas e de minas.

As minas antipessoal e antiveículo (como as minas de fabrico soviético TM-46 ou as minas de madeira cubanas/chinesas) eram enterradas nas vias de comunicação essenciais para o reabastecimento dos aquartelamentos isolados.

O Alvo Primário: As minas antiveículo eram deliberadamente colocadas para explodir à passagem das rodas ou lagartas dos camiões (como os celebres Berliet Tramagal, Unimog ou GMC).

A Posição do Condutor: O motorista estava sentado exatamente sobre ou imediatamente atrás do eixo dianteiro do veículo. Quando a roda acionava o fulminante da mina, a força máxima da explosão direcionava-se verticalmente, destruindo a cabine e atingindo o condutor em cheio.

Impacto Real: Estudos históricos e registos da Liga dos Combatentes apontam que as minas e as emboscadas a colunas auto foram responsáveis por uma percentagem esmagadora das mortes e, muito particularmente, dos militares que ficaram severamente mutilados (deficientes das Forças Armadas).

2. A Vulnerabilidade Absoluta nas Picadas


Ao contrário das forças helitransportadas ou de intervenção rápida, que podiam escolher o momento e o local do terreno para operar, as colunas de reabastecimento logístico tinham rotas previsíveis.

Previsibilidade do Itinerário: Para abastecer um destacamento isolado no Leste de Angola, no Norte de Moçambique ou no interior da Guiné-Bissau, as viaturas tinham obrigatoriamente de circular pelas escassas picadas existentes. A guerrilha sabia perfeitamente por onde os camiões teriam de passar.

O "Efeito Funil" das Colunas: Uma coluna militar (por vezes com dezenas de viaturas) deslocava-se lentamente devido ao peso da carga, ao estado do piso e à necessidade de detetar minas visualmente (as chamadas equipas de "pica-minas"). Se a viatura da frente — muitas vezes conduzida pelo condutor mais exposto — fosse atingida, toda a coluna ficava imobilizada, tornando-se um alvo estático perfeito para uma emboscada subsequente com armas automáticas e morteiros.

3. O Fator Psicológico e o Desgaste Continuado

O perigo de uma especialidade militar não se mede apenas pelo confronto direto, mas pela duração e intensidade do stresse de combate.

"O combatente de infantaria sofria o pico do stresse durante as operações na mata. O condutor auto vivia num estado de tensão contínua a cada quilómetro percorrido, sabendo que o próximo segundo podia ser o último."

O esforço físico e mental exigido a estes militares era brutal:

Condução por estradas de lama profunda (na época das chuvas) ou poeira sufocante que retirava qualquer visibilidade.

A responsabilidade de transportar vidas humanas (as secções de infantaria iam na caixa de carga) e material sensível, como munições e combustível, o que transformava o camião numa autêntica bomba relógio em caso de ataque.

A impossibilidade de se abrigar eficazmente: em caso de emboscada, o condutor estava preso atrás do volante, num habitáculo estreito, sendo frequentemente o primeiro alvo dos atiradores emboscados para paralisar a viatura.

4. Blindagens Artesanais: Prova da Janela de Perigo

A maior prova de que a especialidade de condutor auto era considerada de risco extremo reside nas modificações de emergência que a engenharia militar e os próprios soldados tiveram de improvisar ao longo da guerra.

As viaturas pesadas originais não tinham qualquer proteção contra minas. Para tentar salvar a vida dos condutores, foram implementadas soluções como:

Sacos de areia colocados no piso da cabine e sobre os guarda-lamas para absorver o impacto das explosões.

Placas de aço adicionadas localmente nas portas e no chão (as chamadas viaturas "blindadas" ou "vacinadas").

Remoção de capotas e portas em certas zonas para permitir que o condutor fosse projetado para fora ou pudesse abandonar o veículo instantaneamente em caso de emboscada, evitando ficar preso nas ferragens em chamas.

Conclusão

A análise histórica da Guerra Colonial demonstra de forma clara que os condutores auto não exerciam uma função meramente secundária ou de retaguarda. No teatro de operações africano, onde as linhas da frente não existiam e o território era controlado através de eixos rodoviários precários, o ato de conduzir transformou-se numa das missões mais perigosas, exigentes e com maior probabilidade de resultar em morte ou invalidez grave.


domingo, 8 de fevereiro de 2026

 A Companhia de Caçadores 3411 (CCAÇ 3411), conhecida pelo nome de guerra Onzima, foi uma unidade de infantaria portuguesa que esteve colocada em Angola, com base na vila do Songo (então distrito do Uíge), entre 1971 e 1973, durante a Guerra do Ultramar.

Dados principais da Companhia

  • Designação: Companhia de Caçadores 3411 (CCAÇ 3411), nome de guerra “Onzima”.

  • Teatro de operações: Norte de Angola, vila do Songo, região rica em café, com várias fazendas coloniais.

  • Período da comissão: Cerca de 27 meses, entre 1971 e 1973, com base operacional no Songo.

  • Dependência: Integrada na Região Militar de Angola; a nível distrital articulava‑se com Carmona (capital do Uíge) e Negage (base aérea e apoio direto).

Missão e vivência no Songo

  • Tipo de unidade: Companhia de caçadores de infantaria ligeira, vocacionada para operações de contra‑guerrilha (patrulhamentos, escoltas, proteção de povoações e eixos viários).

  • Zona de atuação: Songo como base, com saídas para áreas em redor (estradas, fazendas de café, pequenos povoados), num triângulo operacional que ligava Songo, Carmona e Negage, apelidado pelos veteranos de “triângulo das Bermudas”.

  • Condições de vida: Alojamentos inicialmente em casas civis adaptadas, clima quente e poeirento, alguns momentos de lazer como idas à “piscina” perto do Songo para banhos e convívio entre camaradas.

Memória, blogues e encontros

  • Blog “ONZIMA‑CCAÇ.3411 – ANGOLA 71/73 – SONGO”: reúne crónicas, fotografias, listas de antigos militares e relatos do dia a dia da companhia no Songo.

  • Página dedicada na “Guerra do Ultramar / Veteranos”: regista que a CCAÇ 3411 serviu o Estado Português em Angola, no Songo, de 1971 a 1973, e divulga convívios (almoços anuais, como o de 2013) dos antigos combatentes.

  • Encontros atuais: veteranos da Onzima continuam a organizar almoços‑convívio e comemorações dos aniversários do regresso, preservando a memória da companhia e o espírito de camaradagem.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

 16º Almoço convívio na Madeira em 25 de           Outubro de 2025


O 1º almoço realizado na Madeira(Encumeada) com a intervenção do Pinto, Nóbrega e Jorge madeirenses de gema e com a colaboração da Dtª Sara(filha do ex- Alferes Rei) na organização e planificação no Continente.Para memória futura aqui ficam os camaradas que se deslocaram para a Madeira:

Lino Rei
Aurélio Sousa
Albano Leite
Ílidio Aguiar
Abílio Castelo
Bernardo Pegado
Joaquim Romão
José Coelho
José Alves
José Castro
Luís Oliveira
Manuel Amaral
Mário Morgado
Orlando Castro

52º aniversário do regresso da CCaçadores 3411 de Angola-Songo a Portugal. A Onzima esteve 27 meses sediada no Songo durante os anos de 1971 a 1973.

Em termos de almoços convívios foram realizados durante o período que mediou entre 1973(n/chegada) e este convívio na Madeira perfizemos um total de 16 encontros. O 1º convívio foi comemorado no ano de 1996 em Valadares- Porto, depois fomos intercalando, sempre com a missão de não deixar-mos quebrar a nossa ligação.


Principais motivos dos convíviosReforçar a camaradagem e a amizade forjadas na tropa, muitas vezes descritas como laços únicos que perduram a vida inteira.

Partilhar memórias, contar histórias e construir uma memória coletiva da Guerra Colonial,evitando o esquecimento da experiência vivida.



Prestar apoio emocional entre quemfala a mesma língua” do trauma, aliviando solidão, stress de guerra e outros problemas psicológicos.

Função social e simbólica

Sentir reconhecimento e dignidade, num grupo onde o papel de antigo combatente é valorizado e respeitado, muitas vezes mais do que na sociedade em geral

sábado, 11 de janeiro de 2025

𝟏5º 𝐂𝐎𝐍𝐕𝐈́𝐕𝐈𝐎 𝐃𝐀 𝐎𝐍𝐙𝐈𝐌𝐀 𝐄𝐌 𝐁𝐑𝐀𝐆𝐀 𝐄𝐌 𝟐𝟔-𝟏𝟎-𝟐𝟎𝟐𝟒

 Passados 51 anos o "pessoal" da 3411 com alguns dos seus familiares e pela batuta do Lino Rei concentraram-se em Braga no restaurante Espaço 12, onde desfrutaram de um excelente cardápio e voltaram a recordar momentos e emoções que se entrelaçaram com a saudade de tempos passados. Por motivos de falta de saúde não me foi possível comparecer o que me deixou bastante frustado, mas a vida tem destas vicissitudes. Segundo opinião generalizada foi um excelente convívio  onde não faltou a pianista de serviço Sara Lobo filha do Lino Rei e que abrilhantou com um Parabéns a você(Onzima) cantado em uníssono pela "rapaziada" da 3411 que estiveram presentes no evento incluindo os "madeirenses" que atravessaram o Atlântico para brindar.
Saúde para todos e que o próximo convívio seja tão bom ou melhor que este.






quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

𝐀𝐧𝐨 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟓

 𝐎 𝐚𝐧𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐬𝐞 𝐢𝐧𝐢𝐜𝐢𝐚 𝐞́ 𝐮𝐦𝐚 𝐧𝐨𝐯𝐚 𝐨𝐩𝐨𝐫𝐭𝐮𝐧𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐬𝐨𝐧𝐡𝐚𝐫, 𝐩𝐥𝐚𝐧𝐞𝐣𝐚𝐫 𝐞 𝐯𝐢𝐯𝐞𝐫 𝐢𝐧𝐭𝐞𝐧𝐬𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐜𝐚𝐝𝐚 𝐦𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨. 𝐐𝐮𝐞 𝐩𝐨𝐬𝐬𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐭𝐫𝐚𝐧𝐬𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚𝐫 𝐝𝐞𝐬𝐞𝐣𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐫𝐞𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞.




segunda-feira, 14 de outubro de 2024

𝐎𝐒 𝐇𝐄𝐑Ó𝐈𝐒 𝐓𝐀𝐌𝐁É𝐌 𝐒𝐄 𝐀𝐁𝐀𝐓𝐄𝐌!


𝐎𝐒 𝐇𝐄𝐑Ó𝐈𝐒 𝐓𝐀𝐌𝐁É𝐌 𝐒𝐄 𝐀𝐁𝐀𝐓𝐄𝐌!







Armando Silva de Jesus

 

Soldado Atirador de Infantaria, n.º 17320271

 

Companhia de Caçadores 3411

 

(Batalhão Independente de Infantaria 19)

 

Cruz de Guerra, de 3.ª classe

(Título póstumo)


Mais informação carregar no link.









terça-feira, 5 de dezembro de 2023

O ÚLTIMO "COMBATE" FINAL

 




Em 1996 passados 23 anos do nosso regresso a Portugal(1973) encetei juntamente com o Beja na organização dos almoços convívio da C.Caç. 3411(Onzima) foi um percurso por vezes difícil mas nunca nos faltou a vontade de congregar o máximo possível de camaradas/companheiros que diariamente conviveram durante 27 meses e que juntos suprimos muitos momentos maus e cheios de incertezas.

Durante 27 anos realizámos estes encontros (1996/2023) tendo eu realizado os últimos encontros, viajámos de Norte a Sul na procura do melhor local para podermos desfrutar de um são convívio e exorcizar velhas recordações da guerra.

Sentimos que nesses encontros reencontramos outra vez os 20 anos e nessa altura nada nos fazia parar, o dia seguinte era sempre o mais importante, era o sinal de que estávamos vivos.

Este encontro em Águeda (28-10-1923) foi o meu adeus a um percurso que me trouxe vários momentos de puro entrelaçar de emoções fortes e que constituíram momentos de pura camaradagem. Todos temos o momento certo para sair e o meu chegou.

Quero no entanto deixar aqui um pódio dos mais colaborantes neste ciclo de convívios para que fiquem como memória futuro.

Um obrigado do coração a todos aqueles que sentiram o apelo da chamada

Até sempre camaradas/amigos de sempre.








           

domingo, 12 de novembro de 2023

Marta Martins Silva

 Marta "agarrou" no tema da Guerra Colonial com muita garra de exorcizar os medos e revolta que muitos sentiram no seu âmago.



Excelente jornalista, transporta para as gerações actuais e não só, o que foi a Guerra Colonial. retratou e retrata episódios marcantes de quem "viveu" na guerra e do êxodo de milhares de portugueses que sentiram na pele a angústia do partir.

Um obrigado pelo excelente trabalho que tem feito no sentido de dar a conhecer realidades que se perderam no tempo...lembrar é preciso.















sábado, 11 de novembro de 2023

A GUERRA NO CINEMA

 "Monsanto" quer ser o segundo filme mais visto de sempre na televisão. Ou melhor, o primeiro - de novo. Depois da paixão proibida de "Amo-te Teresa", a SIC aposta forte no cenário de fogo da mata de Monsanto, onde um ex-combatente da guerra colonial exorcista as recordações da frente de batalha. Alguém mencionou "Inferno", de Joaquim Leitão? Otelo Saraiva de Carvalho dá uma ajuda, como actor. A morte do tenente-coronel Marcelino da Mata foi só mais um episódio a mostrar que, quando o tema é o colonialismo tardio e a Guerra Colonial, o mais provável é que as posições se extremem. É um fenómeno com razões conhecidas, mas que, quase 50 anos depois, não foi possível ultrapassar.

10 FILMES SOBRE A GUERRA COLONIAL

Non, ou a Vã Glória de Mandar’,

Manoel de Oliveira, 1990

Inferno’, Joaquim Leitão, 1999

Capitães de Abril’,

Maria de Medeiros, 2000

Um Adeus Português’, João Botelho, 1985

Monsanto’, Ruy Guerra, 2000

Brandos Costumes’, Alberto Seixas Santos, 1975

Bom Povo Português’, Rui Simões, 1981

Se a memória existe?’, (curta-metragem) João Botelho, 1999

A Tempestade da Terra’,

Fernando de Almeida e Silva, 1998

Era uma vez um Alferes’,

Luís Filipe Costa, 1987
















sexta-feira, 10 de novembro de 2023

A GUERRA NA PAZ




O encontro emotivo de camaradas de uma vida leva-nos a um patamar de emoções excelso. Não se quantifica a saudade e as emoções por números mas sim pelo apertar de uma mão ou pelo abraço forte e sentido. Estivemos juntos na estrada da vida e continuaremos a comemorar o estarmos juntos na celebração de mais um ano que passou. Um obrigado a todos sem excepção.

OUTRORA

01 de Março de 2008 A construção do blogue da Onzima, teve como intenção dar a conhecer a nossa vivência por terras de Angola. Dei a conh...