Uma parcela do livro "TAMBÉM EU ESTIVE LÁ..", escrito pelo nosso ex-alferes Lino Rei.
Segundo relato do ex-furriel, Laranjeira, mecãnico-auto, que não se comparando propriamente a um guerrilheiro no terreno, tal como os atiradores, trabalhava com outras armas, não menos importantes que as nossas G 3, como as chaves de bocas e de luneta, para apertar os parafusos dos já muitos desapertados que existiam nas velhas carcaças que nos haviam deixado os "velhinhos" da Companhia que fôramos render, também ele se pronuncia a prepósito:
"Existem imagens que, difìcilmente, se conseguem esbater na voragem do tempo e que ficarão para sempre retidas no nosso imaginário. Uma delas, foi a nossa chegada ao Songo. O contraste da rigidez dos nossos rostos, de olhos ainda virgens para o teatro de guerra que desconhecíamos, e o explodir da incontida alegria dos "velhinhos" nos seus camuflados já completamente desfigurados por inúmeros rasgões em formas geométricas losangulares, rectangulares, circulares e outras, foi por demasiado evidente. O aspecto fantasmagórico daquela tropa, só podia ser comparado a uma qualquer visão de tipo dantesco com descida aos infernos, que terminou num clamor de cantilena desconjuntada de múltiplas vozes:
Ó maçarico
Tua alma chora
Olha a velhice
Que se vai embora!
De seguida, foi vê-los, estrada fora, a caminho da peluda. Para nós, restavam os camuflados ainda luzidios e a incerteza do futuro".
quinta-feira, 9 de abril de 2015
sábado, 28 de março de 2015
UM DIA, FOI ASSIM....
Um documentário cumplice e intimista. 25 de Abril de 1974, o jovem militar Orlando Mesquita corria pelas ruas, juntando-se a tantos outros na grande celebração da liberdade. Escassas semanas após o acontecimento, é enviado para uma guerra que afinal não terminara num passe de magia. Como tantos jovens anónimos, foi enviado para limpar, discreta e silenciosamente, os despojos do conflito.
Da experiência brotaram cicatrizes, histórias ocultas que através da lente se revelam nesse território onde as linhas de um rosto traçam um mapa, e nesse mapa se confrontam com a palavra dita e sentida.
Da experiência brotaram cicatrizes, histórias ocultas que através da lente se revelam nesse território onde as linhas de um rosto traçam um mapa, e nesse mapa se confrontam com a palavra dita e sentida.
quinta-feira, 19 de março de 2015
AS MULHERES e a GUERRA COLONIAL
Rezaram e fizeram promessas por eles. Escreveram-lhes centenas de aerogramas, adiando o amor, às vezes sem volta. Tornaram-se madrinhas de guerra de homens que nem sequer conheciam. Foram com eles para o território desconhecido de África, que amaram ou odiaram, ou resignaram-se a esperar por eles, com filhos nos braços.
Voaram para os resgatar do mato, onde chegaram mesmo a morrer por eles, e organizaram-se, com maior ou menor cunho ideológico, para lhes aliviar a saudade, enquanto apoiavam as suas famílias. Arriscaram por eles, protegendo-lhes a retaguarda, contestando a guerra, desertando sem saberem quando voltariam ao seu país, mergulhando na clandestinidade e aderindo à luta armada, sujeitas às sevícias da polícia política e perdendo a juventude nas masmorras da prisão. Trataram deles quando voltaram, mutilados e traumatizados, e habituaram-se a amar homens diferentes daqueles com quem haviam casado. Cada uma à sua maneira, as protagonistas deste livro foram pioneiras, desbravando
caminhos outrora vedados às mulheres. Mães, irmãs, filhas, amantes, companheiras, amigas, muitas mulheres viveram a guerra colonial como se também elas tivessem sido mobilizadas. Depois da guerra, também para elas nada foi como dantes.
Voaram para os resgatar do mato, onde chegaram mesmo a morrer por eles, e organizaram-se, com maior ou menor cunho ideológico, para lhes aliviar a saudade, enquanto apoiavam as suas famílias. Arriscaram por eles, protegendo-lhes a retaguarda, contestando a guerra, desertando sem saberem quando voltariam ao seu país, mergulhando na clandestinidade e aderindo à luta armada, sujeitas às sevícias da polícia política e perdendo a juventude nas masmorras da prisão. Trataram deles quando voltaram, mutilados e traumatizados, e habituaram-se a amar homens diferentes daqueles com quem haviam casado. Cada uma à sua maneira, as protagonistas deste livro foram pioneiras, desbravando
caminhos outrora vedados às mulheres. Mães, irmãs, filhas, amantes, companheiras, amigas, muitas mulheres viveram a guerra colonial como se também elas tivessem sido mobilizadas. Depois da guerra, também para elas nada foi como dantes.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
FRAGMENTOS
A guerra esse maldito teatro, onde a morte está sempre representada, deixando nos intervenientes marcas irreversíveis! As imagens ficam indelével na nossa memória, e não nos deixam repousar...continuamos até morrer numa guerra latente!
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
EX-COMBATENTES DA GUERRA COLONIAL SÃO GRUPO DE RISCO(HEPATITE))
Muitos ex-combatentes da Guerra Colonial começam agora a descobrir, quase 50 anos depois, que contraíram hepatite B ou C, doença que pode ser fatal, alertou a associação portuguesa que dá apoio aos doentes hepáticos.
“Temos hoje imensas pessoas que descobrem que estão infectadas, mas já o estão há mais de 40 anos, como o caso dos ex-combatentes”, afirmou a presidente da Associação SOS Hepatites, nas vésperas do Dia Mundial da doença, que se assinala quinta-feira, dia 28 de Julho.
Esta organização suspeita que os ex-combatentes foram expostos ao vírus em território português, porque antes de embarcarem para África levavam, em grupo, uma vacina, que era administrada sem os cuidados necessários.
“Eram colocados em fila e a agulha era reutilizada muitas vezes. Isso deu origem a muitas infecções. Tenho casos de homens com 66/67 anos que descobriram por mero acaso. Andavam cansados, foram ao médico e descobrem que têm uma hepatite desde o tempo da Guerra”, contou Emília Rodrigues.
Quando a doença é detectada tarde, as consequências são as piores: cancro e cirroses, que aumentam as probabilidades de um desfecho fatal. Em Portugal não há dados de prevalência das hepatites, mas com base em projecções da Organização Mundial de Saúde estimam-se 120 mil portadores de hepatite B e 170 mil de hepatite C.
Quando a doença é detectada tarde, as consequências são as piores: cancro e cirroses, que aumentam as probabilidades de um desfecho fatal. Em Portugal não há dados de prevalência das hepatites, mas com base em projecções da Organização Mundial de Saúde estimam-se 120 mil portadores de hepatite B e 170 mil de hepatite C.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
A SORTE
Todos os que passaram pelas três frentes da guerra, tiveram momentos de sorte e de azar. Ver nascer o Sol já era considerado sorte, no entanto outros imponderáveis surgiam por trás do Sol posto!
Este relato demonstra que a sorte é uma roleta russa. Deixo este testemunho que demonstra que a fronteira entre a sorte e o azar é mínima.
"Aerograma(Bate estradas) foi-me devolvido tal como está, traçado de balas ou
estilhaços na emboscada de 26/10/1971, efectuada a Coluna
Piche-N.Lamego, em que faleceram o Al.Mil. Soares, o 1º. Cabo Cruz, o
sold.Cond. Ferreira e o Sold. Manuel Pereira, todos da CART 3332.
Guardo-o religiosamente comigo..."
Carlos Alberto Carvalho
Este relato demonstra que a sorte é uma roleta russa. Deixo este testemunho que demonstra que a fronteira entre a sorte e o azar é mínima.
"Aerograma(Bate estradas) foi-me devolvido tal como está, traçado de balas ou
estilhaços na emboscada de 26/10/1971, efectuada a Coluna
Piche-N.Lamego, em que faleceram o Al.Mil. Soares, o 1º. Cabo Cruz, o
sold.Cond. Ferreira e o Sold. Manuel Pereira, todos da CART 3332.
Guardo-o religiosamente comigo..."
Carlos Alberto Carvalho
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
A AJUDA QUE VINHA DO CÉU
Quem foram
as primeiras paraquedistas que de bata branca ou de camuflado entram na guerra
em missão de paz.
Largaram os
hospitais onde trabalhavam, deixaram a família preocupada, adiaram casamentos e
filhos para mais tarde. De modo voluntário, aos vinte e poucos anos, atrasaram
as vidas. Conhecidas como as << As Seis Marias>>, foram as
primeiras enfermeiras paraquedistas a irem à guerra.
Um tributo a
todas elas, algumas já partiram, no entanto aqui ficam registados os seus
nomes:
Maria de
Lourdes Rodrigues
Maria do Céu
da Cruz Policarpo
Maria
Arminda Lopes Pereira
Maria
Zulmira Pereira André
Maria Nazaré
Morais Rosa de Mascarenhas e Andrade
Maria Ivone
Quintino dos Reisterça-feira, 10 de junho de 2014
DIA DE PORTUGAL E DOS EX-COMBATENTES
10 de Junho de 2014
Pois sempre nos ensinaram nas Escolas que os nossos antepassados. Descobriram Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Timor, Macau e Goa, Damão e Diu. Onde ainda se fala a Língua Portuguesa.
Jovens! A Liberdade é tão bela como uma Rosa, mas temos que ter muito cuidado e respeito por ela, pois tem também muitos espinhos
Camaradas Combatentes: Vivemos uma Juventude sofrida. Todos na Flor da Sua Vida.
É que foram, Dois Natais, Duas Páscoas, Dois Aniversários Natalícios, em Territórios
Inóspitos, mas Belos…Lindos e Tristes, a Milhares de Quilómetros da Mãe Pátria….
Não podemos também esquecer os nossos Pais, Mães, Irmãos, Esposas, Filhos,
Familiares e Amigos que sofreram tanto ou mais que Nós .
Portugueses, só são possível estimular os Jovens a servir Portugal, se todos, sem Demagogia e partidarismo soubermos Homenagear aqueles que serviram a Pátria e por Ela deram a Vida.
Viva os Combatentes.
Viva Portugal.
José Adelino Ferreira Nunes
Pois sempre nos ensinaram nas Escolas que os nossos antepassados. Descobriram Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Timor, Macau e Goa, Damão e Diu. Onde ainda se fala a Língua Portuguesa.
Jovens! A Liberdade é tão bela como uma Rosa, mas temos que ter muito cuidado e respeito por ela, pois tem também muitos espinhos
Camaradas Combatentes: Vivemos uma Juventude sofrida. Todos na Flor da Sua Vida.
É que foram, Dois Natais, Duas Páscoas, Dois Aniversários Natalícios, em Territórios
Inóspitos, mas Belos…Lindos e Tristes, a Milhares de Quilómetros da Mãe Pátria….
Não podemos também esquecer os nossos Pais, Mães, Irmãos, Esposas, Filhos,
Familiares e Amigos que sofreram tanto ou mais que Nós .
Portugueses, só são possível estimular os Jovens a servir Portugal, se todos, sem Demagogia e partidarismo soubermos Homenagear aqueles que serviram a Pátria e por Ela deram a Vida.
Viva os Combatentes.
Viva Portugal.
José Adelino Ferreira Nunes
quinta-feira, 29 de maio de 2014
AMIZADES
Resolvi escrever algo sobre a amizade e empatia na guerra. Todos nós tínhamos camaradas que nos diziam algo mais, foi o caso do Ilídio Figueira...um dos cozinheiros da Companhia, e como tal ajudava-nos a retemperar as forças em momentos muito especiais. Bastava fazer-mos uma caçada furtiva e entregar-lhe em mão um cabrito, ou um galináceo que se tinham "escapado" da sanzala mais próxima, e o banquete surgia.
Quis a vida que parti-se cedo demais, no entanto fica na memória o excelente homem que foi, tanto na guerra como posteriormente na sua vida civil.Um adeus... camarada, até um dia.
Quis a vida que parti-se cedo demais, no entanto fica na memória o excelente homem que foi, tanto na guerra como posteriormente na sua vida civil.Um adeus... camarada, até um dia.
sexta-feira, 7 de março de 2014
METADES.....
"Tenho duas metades, uma é feita de sonhos e a outra de coragem. E as duas nunca se encontram."
Um corpo jaz na terra quente,alagado pelo sangue derramado de feridas que já não se fecham. O dia já não lhe sorri, de repente se fez noite cerrada.
Números e letras numa salganhada imperceptível...terra e sangue (mecanográfico) e ali ficaram como despojos duas metades de números desencontrados...pedaços de uma vida!
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
O TEMPO
01 de Março de 2008
A construção do blogue da Onzima, teve como intenção dar a conhecer a nossa vivência por terras de Angola.
Dei a conhecer muitas das nossas aventuras pelas terras quentes e vermelhas, procurando reviver emoções e transmiti-las por palavras.
Este meu "caderno" ficará para memória futura.....
Um abraço de camaradagem a todos aqueles que como eu entrelaçaram a sua vida numa guerra, que sacrificou toda uma geração!
A construção do blogue da Onzima, teve como intenção dar a conhecer a nossa vivência por terras de Angola.
Dei a conhecer muitas das nossas aventuras pelas terras quentes e vermelhas, procurando reviver emoções e transmiti-las por palavras.
Este meu "caderno" ficará para memória futura.....
Um abraço de camaradagem a todos aqueles que como eu entrelaçaram a sua vida numa guerra, que sacrificou toda uma geração!
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
terça-feira, 22 de outubro de 2013
40 ANOS
40 anos, 40 vidas, 40 horas..... todas elas com o mesmo
denominador comum...o tempo!
Aeroporto do Figo Maduro, em 22 de Outubro de 1973, um Boeing
707 aterrava, com centenas de jovens ávidos de uma nova vida e cheios de
esperança de um futuro melhor, depois de 27 meses por terras de Angola.
Hoje, são recordações que se vão esfumando no tempo......
terça-feira, 1 de outubro de 2013
MATAR PARA NÃO MORRER
No mato,
Onde combato,
Mato.
Não sei porque combato
No mato
Onde ando,
Sem eu querer,
Quere-o o poder,
A combater.
Sem saber o que fazer,
No mato,
Onde combato,
Só, mato,
Para não morrer!
No morro,
Onde combato,
Morro…
Sem
Querer morrer,
No morro,
Onde combato
Mato,
Sem o saber.
Se eu morrer,
A combater,
No morro,
Morro sem querer,
Exige-o o poder
Que não posso combater.
Se mato
É para viver!
Fernando Serrano
Ventos de Guerra
terça-feira, 3 de setembro de 2013
O ZÉ da FISGA
O cartonista Fernando da Silva Gonçalves(Nando), que cumpriu o serviço militar em Angola de 62/64 (Cabinda), teve em alguns dos seus momentos de ócio a criatividade de "criar" um boneco que ficou célebre durante o período da guerra colonial, o Zé da Fisga.
Uma caricatura do soldado português, que se safava, sempre que estava em apuros......
Uma caricatura do soldado português, que se safava, sempre que estava em apuros......
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
O INICIO-15 DE MARÇO DE 1961
E assim começou uma saga de treze anos, que originou uma flagelação de ideais e na morte de milhares de jovens.......
terça-feira, 30 de julho de 2013
ENCONTROS/DESENCONTROS-MOGOFORES 28-07-2013
Mais um encontro anual de gentes de Angola, mais própriamente do Huíge(Songo/Carmona/Quitexe/Negage), etc.
A finalidade é e será sempre a mesma, o entrelaçar de emoções, e um reviver intenso das saudades!
A finalidade é e será sempre a mesma, o entrelaçar de emoções, e um reviver intenso das saudades!
segunda-feira, 15 de julho de 2013
ALMOÇO EM ERMESINDE EM 13-07-2013
Companheiros....este ano comemoramos no mês de Outubro, 40 anos após o nosso regresso de terras de Angola, onde permanecemos vinte e sete meses. É um privilégio poder estar junto a todos vós, e poder olhar-vos nos olhos e dizer, obrigado camaradas.....
Pela picada da vida, alguns dos nossos companheiros já foram obrigados a parar, deixando-nos a missão de continuarmos o caminho, e assim o faremos. O ano de 2012 foi nefasto para a Onzima, Rato, Marquês e Coelho, todos eles de transmissões, e o Ilídio Figueira, cozinheiro...ficámos mais pobres!
Este é o 12º almoço, convívio, chegámos há dúzia e em todos eles entrelaça-mos amizades e emoções, e sentimos o cheiro da terra africana, e embalámos contos do antigamente, acabando por uma lágrima furtiva aflorar nas nossas faces.
Quero agradecer a todos aqueles que têm comparecido, e manifestar a minha sincera gratidão, extensiva aos familiares que por vezes vos acompanham.
Um bem haja a todos. desejando um feliz retorno aos vossos locais de partida.
Para finalizar cito a frase de um célebre escritor" onde quer que nos encontremos, são os nossos amigos que constituem o nosso mundo"....
Pela picada da vida, alguns dos nossos companheiros já foram obrigados a parar, deixando-nos a missão de continuarmos o caminho, e assim o faremos. O ano de 2012 foi nefasto para a Onzima, Rato, Marquês e Coelho, todos eles de transmissões, e o Ilídio Figueira, cozinheiro...ficámos mais pobres!
Este é o 12º almoço, convívio, chegámos há dúzia e em todos eles entrelaça-mos amizades e emoções, e sentimos o cheiro da terra africana, e embalámos contos do antigamente, acabando por uma lágrima furtiva aflorar nas nossas faces.
Quero agradecer a todos aqueles que têm comparecido, e manifestar a minha sincera gratidão, extensiva aos familiares que por vezes vos acompanham.
Um bem haja a todos. desejando um feliz retorno aos vossos locais de partida.
Para finalizar cito a frase de um célebre escritor" onde quer que nos encontremos, são os nossos amigos que constituem o nosso mundo"....
segunda-feira, 10 de junho de 2013
quinta-feira, 6 de junho de 2013
PARTIDAS....
Voltando novamente a "bater" na mesma tecla, homenagem a mais um companheiro que "caiu" em terras de Angola em defesa da Pátria! O prisma de observação sobre a guerra é multifacetado e pode sempre ter opiniões diferentes, é uma questão de sensibilidade e de interiorização por uma causa! Eu, como milhares de jovens na altura do conflito formamos uma ideia de que iríamos defender algo que nos pertencia, quem na altura tinha moral para opinar o contrário, possivelmente alguns iluminados.... Depois do conflito terminar começaram a germinar os sabedores do reino, fácil ...depois de acontecer os sapientes doutrinavam ideias e sabedorias, valorizando os que "fugiram" para a Suécia. França etc. etc., as decisões são valorizadas enfrentando os problemas e não fugindo deles! Um abraço de fraternidade a todos aqueles que como eu por lá "andaram".
sábado, 1 de junho de 2013
FOMOS MENINOS
O Menino da Sua Mãe
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado-
Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece.
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado-
Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho unico, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe.»
(agora que idade tem?)
Filho unico, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe.»
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
O menino da sua mãe
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
O menino da sua mãe
Fernando Pessoa
sexta-feira, 31 de maio de 2013
ILÍDIO DOS SANTOS FIGUEIRA
Camarada, companheiro e amigo, partis-te para a última viagem, deixando em todos nós um vazio.
Um até sempre, descansa em paz....
Um até sempre, descansa em paz....
Soldado Ajudante Cozinha
14239570
17-05-1949 a 07-05-2012
domingo, 5 de maio de 2013
MÃE
Foi para todos nós, a pessoa que nos deu o ser, permitiu-se dizer "és meu" e mais tarde deixou-nos "voar".
Sofreram com intensidade a nossa partida para o incerto, mas dentro delas sempre tiveram a secreta esperança de um dia regressarmos. Algumas infelizmente tiveram a dor de não os ver chegar e "alimentaram" toda uma vida o sofrimento da perda.
Hoje sou um dos que já a viu "partir",no entanto a saudade persiste e dói,por isso aqui quero prestar
a minha sincera homenagem.
Sofreram com intensidade a nossa partida para o incerto, mas dentro delas sempre tiveram a secreta esperança de um dia regressarmos. Algumas infelizmente tiveram a dor de não os ver chegar e "alimentaram" toda uma vida o sofrimento da perda.
Hoje sou um dos que já a viu "partir",no entanto a saudade persiste e dói,por isso aqui quero prestar
a minha sincera homenagem.
A TODAS AS MÃES
à Mãe no mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade
segunda-feira, 29 de abril de 2013
PEDRO SOLDADO
Já lá vai Pedro soldado
Num barco da nossa armada
E leva o nome bordado
Num saco cheio de nada
Triste vai Pedro soldado
Branca rola não faz ninho
Nas agulhas do pinheiro
Não é Pedro marinheiro
Nem o mar é seu caminho
Nem anda a branca gaivota
Pescando peixes em terra
Nem é de Pedro essa roda
Dos barcos que vão à guerra
Onde não anda ceifeiro
Já o campo se faz verde
E em cada hora se perde
Cada hora que demora
Pedro no mar navegando
Não é Pedro pescador
Nem no mar vindimador
Nem soldado vindimando
Verde vinha vindimada
Triste vai Pedro soldado
Manuel Alegre
sexta-feira, 15 de março de 2013
ALMOÇO ONZIMA(12º)
ONZIMISTAS VOLTAM AO ATAQUE
12º ALMOÇO
13-07-2013
Depois de um interregno de dois anos, voltamos a congregar vontades e vamos juntar o máximo possível de camaradas.
Espero a vossa adesão ao evento, como habitualmente é uma forma de mitigarmos a saudade!
Contactos: Laranjeira---------918616491
Camilo Moreira- --919856044
Óscar Ribeiro----- 916752930
quinta-feira, 14 de março de 2013
NA HORA DA DESPEDIDA
Meu filho, posto
soldado
levado para lá do mar
de negro ando vestida
chorando-te até chegares
Dois braços - sei - tu levavas
com quantos voltas não sei…
com duas pernas andavas
e com os olhos enxergavas
aqueles montes além
Meu filho neste baraço
de ódio que nunca vem…
uma farda te vestiram e uma arma te entregaram
a mando não sei de quem…
Puz cinza nos meus cabelos
e com um lenço os tapei
vou chorar-te dia e noite
nessa guerra de
ninguém
Dois braços - sei - tu levavas
com quantos voltas não sei…
Maria Teresa Horta
soldado
levado para lá do mar
de negro ando vestida
chorando-te até chegares
Dois braços - sei - tu levavas
com quantos voltas não sei…
com duas pernas andavas
e com os olhos enxergavas
aqueles montes além
Meu filho neste baraço
de ódio que nunca vem…
uma farda te vestiram e uma arma te entregaram
a mando não sei de quem…
Puz cinza nos meus cabelos
e com um lenço os tapei
vou chorar-te dia e noite
nessa guerra de
ninguém
Dois braços - sei - tu levavas
com quantos voltas não sei…
Maria Teresa Horta
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
MADRINHAS de GUERRA
Combatentes e "madrinhas de guerra" trocavam cartas "de fazer corar" “Madrinhas de guerra” eram quase sempre moças solteiras
Os antigos combatentes chamavam-lhes “madrinhas de guerra”, mas algumas das cartas que eles e elas trocavam eram de tal forma “atrevidas” que só com “bolinha vermelha” poderiam ser reproduzidas num qualquer programa de televisão.
“Muitas vezes, os combatentes aproveitavam as madrinhas de guerra para ‘despejarem’ toda a sua criatividade e todas as suas fantasias sexuais”, explicou hoje à Lusa José Manuel Lages, diretor científico do Museu da Guerra Colonial de Vila Nova de Famalicão.
Na quinta-feira, para assinalar o Dia de S. Valentim, aquele museu vai acolher uma tertúlia com alguns dos que viveram na primeira pessoa a experiência de escrever e/ou receber as cartas em cenário de guerra.
Como refere fonte municipal, trata-se de um “casamento improvável” entre uma unidade museológica que evoca um dos mais difíceis e sangrentos estágios da História de Portugal e uma efeméride “tão cor-de-rosa” como o Dia dos Namorados.
A iniciativa integra ainda a exposição temporária de algum do vasto acervo que aquele museu detém nesta área da correspondência de guerra.
José Manuel Lajes confessou “alguma perplexidade” na escolha das cartas da expor, face “às barbaridades e aos termos perfeitamente indecorosos” que muitas delas contêm.
“Mas também há cartas de verdadeiras madrinhas, de pessoas, como professoras, por exemplo, que escreviam aos combatentes apenas e só para lhes darem algum alento”, acrescentou.
As “madrinhas de guerra” eram quase sempre moças solteiras, sendo muitas vezes os respetivos endereços trocados entre os soldados.
Muitas vezes, as pessoas escreviam-se sem se conhecerem pessoalmente, mas há alguns desses casos que resultaram em casamento.
Ao fim de algumas cartas trocadas, as “madrinhas” enviavam fotos normalmente “de corpo inteiro”, para “mostrarem o que valiam”.
“Vestiam a sua melhor roupa, faziam a sua melhor pose e faziam questão que a foto fosse de corpo inteiro”, contou José Manuel Lajes.
Aparentemente, as cartas “sem pruridos” dos combatentes não as escandalizavam, já que as mulheres acabavam por alimentar esse “clima”, com respostas que “levavam sempre a sua pitadazinha de provocação”.
Os “aerogramas”, nome que tinham as cartas, eram disponibilizados pelo Movimento Nacional Feminino, não precisavam de selo e eram transportadas gratuitamente pelos aviões da TAP.
Por vezes, o saco com os aerogramas era atirado do avião, sendo sempre o momento da distribuição da correspondência aguardado com particular ansiedade pelos guerreiros.
“Eu tinha umas cinco ou seis madrinhas e recebia umas 19 a 20 cartas por mês. De que falava? Falava de tudo, era uma espécie de despejar o caixote. Falava-lhes de ser herói, falava-lhes de solidão, falava-lhes de medo, falava-lhes de malandrices”, recorda um antigo combatente.
Lusa
Eu fui Madrinha de Guerra
Isabel Allende diz que “A escrita é para mim uma tentativa desesperada de preservar a memória. Escrevo para que me não vença o esquecimento”.
Todos temos recordações, memórias do passado, antigo ou recente. Há recordações más, situadas em contextos bons e há recordações boas situadas em contextos maus. A recordação que aqui trago enquadra-se neste último tipo. Os anos 60(finais) e 70 preencheram a minha adolescência e juventude. O rock, o flower power, a mini-saia, ocupavam os nossos dias descontraídos enquanto que as baladas, os livros emprestados à socapa e a guerra no ultramar deixavam no ar perguntas sem resposta e desenhavam uma realidade mal compreendida. Todos os rapazes meus conhecidos passavam por um interregno nas suas vidas. Largavam os empregos, as famílias, os amigos e abalavam do cais de Alcântara, aos magotes, para África. O porquê era sempre uma pergunta difícil de responder.
Nessa altura circulava em Portugal uma revista, a “Crónica Feminina”, que, apesar de ser considerada leitura inferior, era lida religiosamente todas as semanas, quer pelas engraçadas tiradas da “D. Licas”, quer pelas novidades da moda, quer pelo foto - folhetim, encaixado nas páginas centrais. Divertíamo-nos com aquilo e isso era parte do nosso pequeno mundo. A última página era uma lista de pedidos de correspondência: Beltrano Sicrano, 1º cabo do RA5, em comissão de serviço na Guiné, deseja corresponder-se com menina dos 17 aos 25 anos, alegre, comunicativa e que goste de música pop. Resposta para o SPM 123456789. Era mais ou menos este o teor do pedido. Entrou na moda, estava na moda.
Então eu respondia a esses gritos de solidão, de liberdade adiada. Durante três ou quatro anos fui madrinha de guerra de uns quantos soldados. Os aerogramas não tinham franquia, pelo que a correspondência circulava com muita assiduidade. Eram palavras simples, descrições do dia a dia, relatos de filmes, letras de canções, poemas, fotografias, postais ilustrados. Enfim, baús cheios de tesouros para quem estava confinado ao mato, à imensidão africana, longe de tudo e de todos.
Havia um dia em que o aerograma trazia a notícia do fim da comissão, o agradecimento profundo pelos bons momentos de leitura e o conforto que as palavras da madrinha desconhecida tinham dado. A vida continuava.
Por duas ou três vezes houve um último aerograma sem resposta do lado de lá. O passar dos dias encarregou-se de apagar a dúvida, um pensamento doloroso.
De todos os afilhados de guerra, só conheci um. Acabada a sua tarefa, voltou para a terra e veio conhecer-me. Trouxe o irmão com quem tinha sido criado e ficou amigo lá de casa. As coisas que ele contava eram um mundo à parte. Ajudou-me a compreender a tal realidade que nos passava um pouco ao lado e trouxe-me algumas respostas às tais perguntas difíceis. Ajudou-me a crescer em consciência. Hoje recordo-lhe o riso franco e aberto. O Tempo, esse insano amigo, levou o resto.
Soma de Letras
Os antigos combatentes chamavam-lhes “madrinhas de guerra”, mas algumas das cartas que eles e elas trocavam eram de tal forma “atrevidas” que só com “bolinha vermelha” poderiam ser reproduzidas num qualquer programa de televisão.
“Muitas vezes, os combatentes aproveitavam as madrinhas de guerra para ‘despejarem’ toda a sua criatividade e todas as suas fantasias sexuais”, explicou hoje à Lusa José Manuel Lages, diretor científico do Museu da Guerra Colonial de Vila Nova de Famalicão.
Na quinta-feira, para assinalar o Dia de S. Valentim, aquele museu vai acolher uma tertúlia com alguns dos que viveram na primeira pessoa a experiência de escrever e/ou receber as cartas em cenário de guerra.
Como refere fonte municipal, trata-se de um “casamento improvável” entre uma unidade museológica que evoca um dos mais difíceis e sangrentos estágios da História de Portugal e uma efeméride “tão cor-de-rosa” como o Dia dos Namorados.
A iniciativa integra ainda a exposição temporária de algum do vasto acervo que aquele museu detém nesta área da correspondência de guerra.
José Manuel Lajes confessou “alguma perplexidade” na escolha das cartas da expor, face “às barbaridades e aos termos perfeitamente indecorosos” que muitas delas contêm.
“Mas também há cartas de verdadeiras madrinhas, de pessoas, como professoras, por exemplo, que escreviam aos combatentes apenas e só para lhes darem algum alento”, acrescentou.
As “madrinhas de guerra” eram quase sempre moças solteiras, sendo muitas vezes os respetivos endereços trocados entre os soldados.
Muitas vezes, as pessoas escreviam-se sem se conhecerem pessoalmente, mas há alguns desses casos que resultaram em casamento.
Ao fim de algumas cartas trocadas, as “madrinhas” enviavam fotos normalmente “de corpo inteiro”, para “mostrarem o que valiam”.
“Vestiam a sua melhor roupa, faziam a sua melhor pose e faziam questão que a foto fosse de corpo inteiro”, contou José Manuel Lajes.
Aparentemente, as cartas “sem pruridos” dos combatentes não as escandalizavam, já que as mulheres acabavam por alimentar esse “clima”, com respostas que “levavam sempre a sua pitadazinha de provocação”.
Os “aerogramas”, nome que tinham as cartas, eram disponibilizados pelo Movimento Nacional Feminino, não precisavam de selo e eram transportadas gratuitamente pelos aviões da TAP.
Por vezes, o saco com os aerogramas era atirado do avião, sendo sempre o momento da distribuição da correspondência aguardado com particular ansiedade pelos guerreiros.
“Eu tinha umas cinco ou seis madrinhas e recebia umas 19 a 20 cartas por mês. De que falava? Falava de tudo, era uma espécie de despejar o caixote. Falava-lhes de ser herói, falava-lhes de solidão, falava-lhes de medo, falava-lhes de malandrices”, recorda um antigo combatente.
Lusa
Eu fui Madrinha de Guerra
Isabel Allende diz que “A escrita é para mim uma tentativa desesperada de preservar a memória. Escrevo para que me não vença o esquecimento”.
Todos temos recordações, memórias do passado, antigo ou recente. Há recordações más, situadas em contextos bons e há recordações boas situadas em contextos maus. A recordação que aqui trago enquadra-se neste último tipo. Os anos 60(finais) e 70 preencheram a minha adolescência e juventude. O rock, o flower power, a mini-saia, ocupavam os nossos dias descontraídos enquanto que as baladas, os livros emprestados à socapa e a guerra no ultramar deixavam no ar perguntas sem resposta e desenhavam uma realidade mal compreendida. Todos os rapazes meus conhecidos passavam por um interregno nas suas vidas. Largavam os empregos, as famílias, os amigos e abalavam do cais de Alcântara, aos magotes, para África. O porquê era sempre uma pergunta difícil de responder.
Nessa altura circulava em Portugal uma revista, a “Crónica Feminina”, que, apesar de ser considerada leitura inferior, era lida religiosamente todas as semanas, quer pelas engraçadas tiradas da “D. Licas”, quer pelas novidades da moda, quer pelo foto - folhetim, encaixado nas páginas centrais. Divertíamo-nos com aquilo e isso era parte do nosso pequeno mundo. A última página era uma lista de pedidos de correspondência: Beltrano Sicrano, 1º cabo do RA5, em comissão de serviço na Guiné, deseja corresponder-se com menina dos 17 aos 25 anos, alegre, comunicativa e que goste de música pop. Resposta para o SPM 123456789. Era mais ou menos este o teor do pedido. Entrou na moda, estava na moda.
Então eu respondia a esses gritos de solidão, de liberdade adiada. Durante três ou quatro anos fui madrinha de guerra de uns quantos soldados. Os aerogramas não tinham franquia, pelo que a correspondência circulava com muita assiduidade. Eram palavras simples, descrições do dia a dia, relatos de filmes, letras de canções, poemas, fotografias, postais ilustrados. Enfim, baús cheios de tesouros para quem estava confinado ao mato, à imensidão africana, longe de tudo e de todos.
Havia um dia em que o aerograma trazia a notícia do fim da comissão, o agradecimento profundo pelos bons momentos de leitura e o conforto que as palavras da madrinha desconhecida tinham dado. A vida continuava.
Por duas ou três vezes houve um último aerograma sem resposta do lado de lá. O passar dos dias encarregou-se de apagar a dúvida, um pensamento doloroso.
De todos os afilhados de guerra, só conheci um. Acabada a sua tarefa, voltou para a terra e veio conhecer-me. Trouxe o irmão com quem tinha sido criado e ficou amigo lá de casa. As coisas que ele contava eram um mundo à parte. Ajudou-me a compreender a tal realidade que nos passava um pouco ao lado e trouxe-me algumas respostas às tais perguntas difíceis. Ajudou-me a crescer em consciência. Hoje recordo-lhe o riso franco e aberto. O Tempo, esse insano amigo, levou o resto.
Soma de Letras
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
O FACEBOOK
https://www.facebook.com/groups/onzima71/
Página da Onzima, criada com a finalidade de divulgar e congregar o maior numero possível de camaradas que estiveram em África, no caso em concreto Songo-Angola.
Será mais um dos caminhos que procuro "abrir" para dar a conhecer ás gerações vindouras, o que foi e de que maneira, se processou a guerra, entre os anos de 1961 e 1974, deixando todo um país de luto durante esse período.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
POESIA NA GUERRA
Durante e depois da Guerra Colonial foi produzida muita poesia sobre o acontecimento.Aqui um poema de Ana Coelho, retratando o papel das Madrinhas de Guerra por palavras, o entrelaçar de emoções.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
VIATURAS de TRANSPORTE(4)
JEEP WILLYS
Tripulação: 2+1
Comprimento máximo: 3.33M - Largura: 1.57M - Altura: 1.77M
Peso vazio: 1247Kg. - Capacidade de carga 0Kg.
Motor/potência/capacidades
Sistema de tracção:Quatro rodas motrizes
Motor: 442 Go-Devil 2.2L Potência: 60 cv
Velocidade máxima: : 89 Km/h - Velocidade em terreno irregular: 35 Km/h
Tanque de combustível: 57 Litros Autonomia máxima: 600Km
Em Portugal, os primeiros Willis MB foram recebidos no Exército Português em 1944, e foram inicialmente atribuidos a unidades de Cavalaria, entre as quais a Escola Prática de Cavalaria em Torres Novas, o Regimento de Cavalaria nº 3 em Estremoz e o Regimento de Cavalaria nº 4 em Santarém, onde foram empregues em missões de reconhecimento e de combate devido às suas capacidades de tracção às quatro rodas.
Nesta época o Regimento de Cavalaria da Guarda Nacional Republicana também recebeu algumas destas viaturas para o desempenho do mesmo género de missões.
No inicio dos anos cinquenta, com a adesão de Portugal à O.T.A.N., foram recebidas mais Viaturas de Transportes Gerais Willis MB 1/4 ton. 4x4 m/1944 provenientes dos E.U.A. E do Canadá, em quantidades que permitiram que se equipassem muitas outras unidades do Exército, das diversas armas e serviços.
Durante os anos cinquenta e ainda durante a primeira metade dos anos sessenta este tipo de viatura foi a principal viatura ligeira táctica do Exército Português.
Ainda nos anos cinquenta muitas destas viaturas foram enviadas para diversas Colónias Portuguesas, tais como a India.
Com o inicio da Guerra Colonial em Angola, muitas destas viaturas foram enviadas para aquela província, onde durante anos prestaram serviço. Outras seguiram para a Guiné e para Moçambique onde foram intensamente utilizadas. Algumas ainda se conservaram em serviço até ao iniçio dos anos setenta em unidades do Exército em Portugal, bem como em unidades nas colónias, sendo gradualmente substituídas por viaturas como as UMM/Cournil e também pelo M-151 «MUTT».
Este é por definição o modelo de «Jeep» original. Ele é um dos três projectos que foram apresentados ao exército dos Estados Unidos em 1940 e foi de responsabilidade da empresa Willys-Overland.
Com a aprovação do seu projecto, a Willys fabricou a maior parte dos Jeeps produzidos durante a guerra, mas a Ford, que também tinha concorrido com o seu próprio projecto também produziu o veículo da Willys sob licença, uma vez que a Willys não tinha capacidade instalada sucidiente para responder às encomendas colocadas pelos vários ramos das forças armadas norte-americanas.
Durante os anos da guerra a produção de cada uma das empresas foi a seguinte:
Willys: 362.841
Ford: 281.448
No total, foram produzidos entre 1941 e 1945 um total de 647.870 veículos.
Após a guerra a Willys produziu mais 346.000 unidades até substituir o M-38 pelo M-38A1
Informação genérica:
A designação genérica de JEEP, resultou das iniciais G.P. de «General Purpose», um veículo para utilizações gerais e que podia ser utilizado para uma grande variedade de tarefas As iniciais «Gee + pee» acabaram por se juntar numa palavra que se tornou sinónimo de veículo todo o terreno.
No entanto, embora o termo Jeep seja utilizado de forma genérica, apenas alguns veículos podem de facto ser apresentados ou como Jeeps ou como seus descendentes directos.
O Jeep foi o resultado de um pedido das forças armadas norte-americanas, datado de 7 de Julho de 1940 ao qual respondeu a Willys-Overland, a Ford e a empresa American Bantam.
Entre os requesitos exigidos estava a grande simplicidade mecânica e a possibilidade de se instalar uma metralhadora pesada de calibre 12.7mm.
A Willys ganhou a corrida e a maior parte dos Jeeps acabou por ser fabricada por essa empresa. Mas a Ford fabricou cerca de 4800 do seu próprio modelo e mais de 280.000 modelos da Willys sob licença.
O outro fabricante a Bantam, recebeu encomendas que totalizaram 2.675 unidades, que também podem de facto chamar-se Jeeps.
Em 1960 aparece o substituto do JEEP com o MUTT, que é extremamente parecido, embora com modificações destinadas a garantir uma melhor estabilidade, entre as quais um centro de gravidade mais baixo.
A Willys lançou entretanto uma série de veículos conhecidos como CJ (civilian Jeep) conhecida como C-5 e que se distingue pela tampa do motor arredondada. Este modelo entrou ao serviço em forças armadas de vários países.
A versão original M-38 do jipe Willys foi copiada em vários países que adoptaram o conceito
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