domingo, 13 de novembro de 2016

ANGOLA UMA HISTÓRIA A RECORDAR.....







Descoberta e colonização de Angola pelos Portugueses

Em 1482, as caravelas do Reino de Portugal comandadas pelo navegador português Diogo Cão chegaram ao Reino do Congo. Seguiram-se outras expedições e estabeleceram-se relações entre os dois reinos. Os portugueses levaram armas de fogo, diversos desenvolvimentos tecnológicos, a escrita e uma nova religião, o Cristianismo. Em troca, o Reino do Congo ofereceu escravos, marfim e minerais e especiarias.

Em 1575, Paulo Dias de Novais funda Luanda com a designação de São Paulo da Assunção de Loanda. Dispondo de cerca de 100 famílias e 400 soldados, Novais estabelece uma "praça-forte" essencialmente destinada ao tráfico de escravos. Em 1605, a coroa portuguesa atribui o estatuto de cidade a Luanda. Várias infra-estruturas como fortes e portos foram construídas e mantidas pelos portugueses que, no entanto, não procederam à ocupação de um território maior, fixando-se apenas em certos pontos do interior imediato. Benguela, um forte desde 1587, passando a cidade em 1617, foi outro ponto estratégico fundado e administrado por Portugal. A presença portuguesa nestes pontos do litoral foi marcada por uma série de conflitos, tratados e disputas com as unidades políticas próximas, nomeadamente o Reino do Kongo, Reino do Ndongo e do Reino da Matamba.

Até à Independência do Brasil, a colónia angolana servia essencialmente para fornecer escravos, nomeadamente para a exploração de minérios no Brasil. Com a fuga da família real portuguesa para o Brasil, o comércio de escravos aumentou. A declaração de Independência do Brasil forçou Portugal a dar uma maior importância a Angola dada a perda dos recursos provenientes do seu ex-território americano. Naquela altura, alguns países europeus, nomeadamente a Inglaterra, a França, a Bélgica, a Alemanha, a Espanha e a Itália vinham a ter um papel cada vez mais destacado como potências imperialistas. África passa a ser uma região a explorar dados os seus recursos naturais, algumas importantes para o desenvolvimento industrial na Europa. Esta viragem deu origem, na segunda metade do século XIX, a uma "Corrida para a África" em que cada uma das potências europeias tentou assegurar-se o domínio de parcelas territoriais do continente. Ao fim de fortes disputas entre europeus, e depois de vencida a resistência oferecida por boa parte das unidades políticas africanas, África ficou, em inícios do século XX, dividida em colónias europeias, com a excepção da Etiópia.

A conquista portuguesa do território correspondente à actual Angola, a partir de Luanda e de Benguela, teve início em começos do século XIX, abrandou durante várias décadas, e retomou com força na segunda metade daquele século, já numa situação de concorrência com as outras potências europeias. O interesse económico imediato continuou a ser o tráfego de escravos, lentamente completado por outros tipos de comércio bem como por uma agricultura de plantações, geralmente de dimensão limitada, e trabalhados com recurso a mão-de-obra escrava.
O fim oficial da escravatura em Portugal data de 1878; em Angola, também a mesma data é apontada como, ao nível formal, o fim da escravidão. No entanto, e na prática, a exploração da mão-de-obra negra continuou através de um instrumento designado por “contrato” (em vigor até 1961), que consistia na contratação de ex-escravos pelos seus anteriores senhores. Em 1899, é criada uma nova lei de trabalho - Regulamento do trabalho dos indígenas - que concebia a noção de “trabalho forçado indígena” (habitantes autóctones das colónias).

A delimitação do território de Angola fez-se, no essencial, na Conferência de Berlim onde Portugal teve que fazer pesadas concessões. Por um lado foi rejeitado o Mapa cor-de-rosa que reclamava para Portugal uma extensa faixa que ligava Angola a Moçambique, incluindo os territórios da (hoje) Zâmbia, do Malawi e do Zimbabwe. Por outro lado, teve que ceder ao Congo Belga uma faixa substancial ao longo da foz do Rio Congo, de modo que o Congo Português ficou reduzido à enclave de Cabinda. Finalmente, teve que concordar em reconhecer o Rio Cunene como fronteira com a colónia alemã do Sudoeste Africano. Acertos de detalhe levaram décadas, de modo que as fronteiras definitivas de Angola só ficaram estabelecidas em meados dos anos 1920. É esta também a data em que se pôde falar de uma "ocupação efectiva" de todo o território.
 — com Mina Parente e Herminia Parente.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

LENDAS DE ÁFRICA




A lagoa de Mufututu tem uma história de arrepiar. Os habitantes da aldeia de Quimacuna, a quatro quilómetros do Songo, fazem lá uma cerimónia tradicional. O ritual serve para mostrar as maravilhas da região.
Dizem os antigos que os bagres fumados ou mesmo cozinhados mergulham nas profundezas da lagoa e escondem-se numa gruta impenetrável. Há relatos impressionantes de acontecimentos próprios do outro mundo. Uma coisa é certa: as pessoas estão proibidas de mergulhar e pescar na lagoa Mufututu
São mitos ou realidades que obrigaram a reportagem do caderno Fim-de-Semana a falar com o mais velho da aldeia. Mateus Domingos, 74 anos, viveu sempre na aldeia Quimacuna. Revelou à nossa reportagem factos inacreditáveis mas que ele garante serem verdadeiros. A lagoa Mufututu tem uma água cristalina e pura. Quando se junta às águas do rio Dunda, fica esbranquiçada e forma um separador bem visível: “todos sabemos que ninguém pode entrar na lagoa mas não há aqui feitiço nenhum”, diz Mateus Domingos.
A lagoa foi descoberta, por acaso, em 1922 ou 1923, pelo velho Nkelani. As águas límpidas mostravam grandes quantidades de bagres. Resolveu colocar na água uma muzua para pescar. Deixou a armadilha e foi-se embora para casa. No dia seguinte regressou ao local e ficou espantado com o que viu.
A muzua estava na margem, sem qualquer peixe. O velho Nkelani pensou que alguém tinha tirado a armadilha do local. Voltou a colocar a muzua na lagoa e regressou a casa. Quando o velho Nkelani regressou à lagoa de Mufututu, no dia seguinte, encontrou a muzua abarrotada de peixe. Mas ficou aterrorizado, porque eram bagres fumados e cozidos. Só havia uma pequena quantidade de peixe fresco. “Isto é verdade, ninguém pode duvidar porque aconteceu mesmo”, garante Mateus Domingos.
Sonhos prodigiosos..
Nkelani voltou para casa apreensivo. Pelo caminho encontrou três porcos, matou um e os outros dois fugiram. Mas o velho não levou o porco morto, continuou a caminhar, sem perceber que os dois porcos fugitivos o perseguiam até à entrada da aldeia de Quimacuna. Dias depois, Nkelani apanhou uma doença e morreu. Antes de morrer, Nkelani teve uma visão. Os bagres pediram-lhe para dizer ao povo de Quimacuna para que ninguém tomasse banho ou pescasse na lagoa do Mufututu.
“Sempre que vai haver acontecer alguma coisa boa, o soba da aldeia sonha com os bagres, é assim que eles nos transmitem uma mensagem para nós tomarmos precaução”, contou Mateus Domingos.
Peixes de férias……
Os peixes da lagoa do Mufututu entram de férias nos meses de Março e Abril e só voltam em Junho. “É por isso que estamos a ver poucos peixes e todos pequenos. Aqui há centenas de bagres colossos que, nesta altura, foram visitar a mãe, na lagoa Dimina, na comuna do Kinvuenga, onde passam as suas férias”, revelou Mateus Domingos.
Antigamente a mãe dos bagres vivia no Mufututu, mas por causa das obras nas estradas foi alterado o curso de alguns riachos e lagoas. Por isso a rainha dos bagres fantasmas foi parar à Dimina.
“Nós apercebemos que ela tinha mudado de lagoa, porque enviou um sonho ao velho Miguel Nsanga, que também já foi soba desta aldeia. A mãe dos bagres pediu para cuidarmos bem dos seus filhos”, contou Mateus Domingos.

Antigamente existia uma grande cidade dentro da lagoa. Quem duvidasse da sua existência, era obrigado a mergulhar para ver com os seus olhos, mas isso só era possível fazer depois da realização de um ritual tradicional. “Depois da mãe dos bagres mudar de residência, a cidade desapareceu e agora só se vê uma luz verde lá no fundo, esta é mesmo uma lagoa maravilhosa”, concluiu Mateus Domingos.