quinta-feira, 23 de abril de 2015

FÁBRICA MILITAR de BRAÇO de PRATA

Também chamada vulgarmente como Fábrica de Braço de Prata, começou a funcionar em 1908, fazendo essencialmente munições de artilharia.
Em 24 de Novembro de 1953, deu-se uma explosão nesta fábrica da qual resultaram 12 mortos.
Atingiu o seu auge durante a Guerra Colonial, altura em que conseguiu produzir centenas de milhares de espingardas automáticas, morteiros, metralhadoras, munições, fardamentos e outros artigos que equiparam as Forças Armadas Portuguesas.
Os produtos projectados, e fabricados, nesta fábrica mais conhecidos foram:
Pistola-Metralhadora de 9 mm
Espingarda Automática G3
Metralhadora de 7,62 mm HK21
Morteiro de 60 mm
Pistola-Metralhadora de 9 mm de seu nome"Lusa", não tendo sido fabricada nesta fábrica, mas cuja licença foi vendida.






A FBP, mais conhecida como a "agrafadeira"
O desenho e fabrico eram inteiramente portugueses e a sua construção era dividida entre 2 fábricas, a FNM(Fábrica Nacional de Munições de Moscavide), e a FBP(Fábrica de Braço de Prata). Existiram 2 versões: a FBP M/947 com tiro completamente automático e a FBP M/961 com selector de tiro, que permitia tiro semi-automático e automático.







domingo, 19 de abril de 2015

A TUA FOTOGRAFIA

Com muita nostalgia fiz este poema dedicado ao meu marido, sem que fizesse para tal , esta foto que estava guardada,veio até mim. Senti uma enorme saudade e vontade de falar do que foi o nosso amor e vida. Assim é com todo o meu carinho que partilho convosco. ( Não para me fazer de vítima pois infelizmente foram tantas as mulheres, filhos e pais que passaram o mesmo que eu). Mas sim porque o meu EU me pediu.

                                                                 A TUA FOTOGRAFIA
Estás sempre no meu coração 
Mas ao ver esta tua foto 
Causou -me muita emoção! 
E uma saudade imensa e forte.
Tanta e tanta coisa recordei,
Apenas num segundo
Muitos momentos veio à minha mente.
Amamo-nos com loucura 
Muita ternura, amor profundo.
Éramos muito novos com muitas ilusões. 
A nossa vida em comum 
Durou apenas uma Primavera! 
Semeamos uma semente do nosso amor, 
Com fecundidade e nasceu no Outono 
Foi uma grande felicidade para todos. 
Estavas fora, ao serviço do nosso país. 
Esperava com confiança o teu regresso 
Para que a nossa vida fosse completa.
A saudades que sentíamos 
Eram mitigadas, pelas cartas
Que todos os dias escreviamos 
Um ao outro e pelo amor da nossa filha. 
Ainda a nossa princesa, não tinha três meses, 
Esperava receber uma carta tua. ..
Não recebi! Recebi sim ...
A visita de um Militar da Marinha 
Trouxe a notícia mais dolorosa 
Que recebi na minha vida. 
A dor foi tão forte que desejei morrer .
Não morri! Mas foi muito sofrimento. 
Hoje ao ver esta foto 
O meu passado voltou no tempo
Com lembranças que vão doer sempre. 
Pelo meu primeiro e grande amor, 
Pelo o pai da minha filha,
Pelo o homem humano e honesto, 
Pela partida prematura e horrível ,
Uma partida que deixou muita mágoa. 
Muita dor e grande saudade.

                                                                    Rosete Cansado


quarta-feira, 15 de abril de 2015

CRUZES SEM ROSTO...

Nas três frentes da guerra colonial, cairam para sempre, milhares de jovens,abraçando a terra quente e vermelha. Muitos deles não voltaram à sua Pátria, foram abandonados e votados ao ostracismo de vários governos.
Um País que ignora os seus filhos e a sua história deixa de ter pergaminhos.



 
            

sexta-feira, 10 de abril de 2015

PESADO TRIBUTO...

             


Um tributo ao soldado português que combateu e tombou pela pátria em África”, e a toda “a juventude portuguesa que fez a guerra colonial e foi muito mal tratada. Foi para a homenagear que escrevi este livro”, confessou. O antigo sargento diz ter feito parte de “uma juventude massacrada e sofrida”, cuja maioria nem possuía a 4ª classe, a escolaridade obrigatória na época. Recorda ainda “uma juventude que não tinha praticamente nada”, e que “sem o Serviço Militar Obrigatório (SMO) cumprido dificilmente conseguia encontrar emprego”. Aos 18 anos Mário Ferreira Santos já estava em Moçambique, depois de se ter voluntariado para a tropa. Apenas antecipou uma situação difícil de contornar: “aos 20 anos todos sabíamos que o nosso destino era África”, recorda. “Íamos para um mundo completamente desconhecido” com “a chama e o ideário da defesa da Pátria”. Quando mobilizados para o Ultramar, o transporte de militares “era feito em cargueiros adaptados” por vezes “com condições sub-humanas, onde os soldados se amontoavam”. Viajavam  após escutarem frequentemente: “Angola é nossa, frase repetida até à exaustão”, a propósito do início das hostilidades neste primeiro cenário de guerra, a que se seguiram Moçambique e Guiné-Bissau, os outros dois cenários de guerra onde Portugal esteve envolvido.
Para o antigo sargento, convém não deixar cair no esquecimento este “período negro da nossa história”, do qual “não podemos ter orgulho, mas também não podemos dizer que tivemos vergonha”. Considerou ainda que, “as guerras de guerrilha nunca se ganharam pelas armas, mas sim pela política”, factor que, a seu ver, “esteve na origem do 25 de Abril” de 1974. Ao longo do período da guerra colonial, Portugal enviou para África mais de 800 mil soldados. Perto de nove mil tombaram em combate, cerca de 30 mil foram feridos com gravidade, dos quais 14 mil ficaram com deficiências físicas para o resto da vida. No entanto, ainda falta um verdadeiro relatório que inclua “todos aqueles que ficaram afectados pelo stress de guerra até aos dias de hoje”, conclui o antigo militar.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

EXTRATOS de uma GUERRA...

Uma parcela do livro "TAMBÉM EU ESTIVE LÁ..", escrito pelo nosso ex-alferes Lino Rei.
Segundo relato do ex-furriel, Laranjeira, mecãnico-auto, que não se comparando propriamente a um guerrilheiro no terreno, tal como os atiradores, trabalhava com outras armas, não menos importantes que as nossas G 3, como as chaves de bocas e de luneta, para apertar os parafusos dos já muitos desapertados que existiam nas velhas carcaças que nos haviam deixado os "velhinhos" da Companhia que fôramos render, também ele se pronuncia a prepósito:
"Existem imagens que, difìcilmente, se conseguem esbater na voragem do tempo e que ficarão para sempre retidas no nosso imaginário. Uma delas, foi a nossa chegada ao Songo. O contraste da rigidez dos nossos rostos, de olhos ainda virgens para o teatro de guerra que desconhecíamos, e o explodir da incontida alegria dos "velhinhos" nos seus camuflados já completamente desfigurados por inúmeros rasgões em formas geométricas losangulares, rectangulares, circulares e outras, foi por demasiado evidente. O aspecto fantasmagórico daquela tropa, só podia ser comparado a uma qualquer visão de tipo dantesco com descida aos infernos, que terminou num clamor de cantilena desconjuntada de múltiplas vozes:

Ó maçarico
Tua alma chora
Olha a velhice
Que se vai embora!

De seguida, foi vê-los, estrada fora, a caminho da peluda. Para nós, restavam os camuflados ainda luzidios e a incerteza do futuro".