segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

CAMARADAS da ONZIMA no FACEBOOK

                           José Carlos Ventura Coelho-Alferes Miliciano- Atirador-04579069
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                            Lino António da Silva Martins Rei-Alferes Miliciano.Atirador-16524069
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José Manuel Couto-Alferes Miliciano-Atirador




Adriano Jorge Faria Leitão-Alferes Miliciano-Atirador




José da Graça Marques Calado-Furriel Miliciano Transmissões-00203470




Abilio Barros de Sousa Castelo-Furriel Miliciano-Atirador-00797070




Manuel Lourenço Areias Amaral-Furriel Miliciano-Atirador-04698070





Orlando Ortiga de Castro-Furriel Miliciano Enfermeiro-07867270





António Albano Martins Costa Leite-Furriel Miliciano Atirador-16721170






Albano Cardoso Tavares Laranjeira-Furriel Miliciano Mec. A. R.-18581270







Carlos Manuel Vasco Matoso-Furriel Miliciano Atirador






Manuel João Pimenta Gouveia-1º Cabo-C.A.R.-05182670





Júlio Mário Dias Pereira-1º Cabo-Aux. Enfº-11550170





Adelino Pedro Rodrigues de Freitas-Soldado Atirador-03938671




José Armindo Lamarão Augusto-Soldado-C.A.R.-15747070





José Maria Vaz Gonçalves-Soldado-C.A.R.-15856570







Joaquim da Silva Romão-Soldado-C.A.R.-15758870





José Francisco Faria Alves-Soldado Corneteiro-18411170




João Gabriel de Freitas Nóbrega-Soldado Atirador-19912071





domingo, 13 de dezembro de 2015

MENSAGENS DA QUADRA NATALICÍA

Tão embrenhadas no tempo, mas são memórias da nossa passagem por terras africanas.
Grande parte delas manifestava o nosso nervosismo perante a câmara de filmar que nos era colocada à nossa frente, e nós sobre uma tensão nervosa tremenda acabávamos por enrolar a língua e por vezes ficávamos a patinar com as palavras, originando por vezes algumas risadas dos nossos camaradas.
O tempo era escasso para falar e éramos avisados para ser rápidos, o que obviamente nos atrapalhava a dicção, no entanto o importante era transportar a nossa imagem até Portugal, para que os nossos familiares tivessem a alegria de saber que estávamos vivos.




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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

“Contra os canhões…”



Ex-Aferes Lino Rei autor do livro "Também Eu Estive Lá"......


Texto publicado no Jornal “Correio do Minho”, 15/07/2010 (Braga) e seleccionado de
entre “as melhores histórias” na rubrica “Conta o leitor” de “Quem conta um conto acrescenta um
ponto”.                                                        

                                                              “Contra os canhões…”

António viu-se mobilizado para a guerra e, com ele, mais uns milhares de mancebos por esse país fora.
Já em Luanda, reencontrara no Grafanil – centro de mobilização geral de Angola – um conterrâneo seu que já tinha começado a sua comissão e aguardava novas ordens, para outros destinos.
– Então, pá, também por aqui? – Admirou-se o Fiúza, de Operações Especiais e a fazer serviço na
unidade, enquanto aguardava ida para o Leste.
– Como vês, parece que calha a todos!…
– Olha, a malta só aguarda transporte dos páras e fala-se numa mega operação lá para o Leste; estamos só a afinar as armas…
– Porra, parceiro, isto está assim tão mau?
– Bem, como ainda estás a chegar, será melhor veres por ti. A propósito, para onde vais?
– Sei lá, pá, é lá para o Norte, uma parvónia qualquer…
– Vê que não te calhe a rifa de Nambuangongo, aquilo é fogo da pesada!
– A nossa malta é “tropa macaca” mas o Capitão é dos comandos, nem imagino como vai reagir. Seja o que Deus quiser!
– Boa sorte, a gente ainda se vê por aí. A propósito, sabes quem está na prisa?
– Conta.
– O Salsichas. O gajo pirou-se e andou à porrada com o alferes e pô-lo no hospital!
– E agora?
– Agora, vai alinhar por duas comissões de serviço, se entretanto sair da gaiola!…
(…)
Tentando quebrar a tensão da picada, procurou no bolso do camuflado um cigarro. Entretanto, no
transístor do condutor, a Rádio Luanda anunciava manifestações patrióticas no Puto. Um político de
ocasião ainda discursava: (…) “A quantos souberam bater-se para que todos possam viver (…) Por isso, nesta manhã dos heróis prestamos sentida homenagem aos varões assinalados que fizeram história no Ultramar português” (…)

Que raio fazia António ali, a milhares de quilómetros da sua terra?
A seu lado, o furriel progressista reavivara poemas de Manuel Alegre pois os “ventos” começavam a
soprar outras trovas.
Ouviu-lhe:

Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
O vento cala a desgraça
O vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
Dentro da própria desgraça
Há sempre alguém que semeia
Canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não.

Afinal de que lado estava António?
Um cabo alfacinha aproveitou a boleia poética e trauteou um dos tops da altura, pelo Conjunto de
Oliveira Muge, de Ovar. A canção A Mãe que rivalizava com o Le Ruisseau de mon enfance (Adamo), Caracóis (Amália), Delilah (Tom Jones), Hey Jude (Beatles), Nights in White Satin (Moody Blues) e Congratulations (Clif Richard), no Eurofestival desse mesmo mês de Abril.

A MÃE
Mamãe, tu estás tão longe de mim
Mamãe, sinto que estás a chorar
Não chores a minha ausência
Que um dia hei-de voltar
Não chores e pensa agora
Que o tempo passa depressa
Pede a Deus que te tire esse tormento
Que te abrande o sofrimento
Desse teu formoso rosto
Mamãe, não chores, eu volto, Mãe.

A fila indiana das Berliets que os conduziam para o Uíge nunca mais chegava. Terra batida, barrenta,
pegajenta de mosquitada. E subiam, e desciam …
Pelas cinco da manhã, ao fim de doze horas daquela tormenta, sonolentos e alquebrados, feitos
manteiga por tanto solavanco, alguém berrou da primeira viatura:
– Eh, Companhia, chegamos! Toca a descer e a perfilar para a revista.
Como morcegos assustados, ainda meio sonâmbulos, as viaturas militares iam vomitando toda aquela “carne para canhão”, preparada de armas e bagagens para umas férias, mato fora, sabe-se lá por quanto tempo.
A nascente, a aurora avermelhada aproximava-se a passos de gigante e olhava curiosa aquela tropa
maçarica que nem imaginaria ao que vinha nem por que viera.  À porta de armas do Batalhão, a
sentinela tivera talvez o pesadelo maior da sua vida:
– Meu Sargento, chegaram os Comandos!
O Sargento de Prevenção, chateado por o interromperem do passar pelas brasas e farejando ao longe
aquelas fardas engomadas, logo lhes “tirou as medidas”. Acabou por berrar para o praça:
– Quais Comandos, minha besta-quadrada, são os maçaricos do Puto que vão p’ra Mucaba. Vai acordar o nosso Tenente e Oficial de Prevenção .
Uma hora depois, o Comandante da Unidade, acompanhado do Oficial de Prevenção, aparecia à porta de armas:
– Atenção, Companhia, apresentar armas! – Grunhiu o Capitão.
Um estalejar de mãos nas G3, acompanhando os coices das botas dos soldados no alcatrão da parada,
ressoaram quartel dentro, substituindo-se ao toque de alvorada do corneteiro. Dois boxers,
contrariados por invasão do território, galgaram a porta de armas, arreganhando os caninos àqueles
intrusos. Finalmente, o Comandante, um tal de Tenente-Coronel, quiçá ainda meio ensonado pela
ressaca do dia anterior, correspondeu, contrariado, à ordem de comando e batendo pala aos homens,
autorizou o Capitão a fazer descansar a Companhia.
– Descansar… armas!
O Tenente-Coronel Amoroso ladrou as boas-vindas aos recém chegados.
No seu discurso patriótico apelou a dar cabo de todos os turras na zona e prometia até umas
feriazinhas surpresa no Puto, a quem lhe trouxesse algum troféu como prova.
– “ (…) Portugal é um Império e Angola faz parte dele – ressoava ainda o seu vozeirão, assustando a
passarada que esvoaçou em momento tão solene – por isso, soldados, sede dignos da farda que usais
como os bravos heróis de Pidjiguiti, Mueda e Baixa de Cassange” – rematou.
A Companhia haveria de deslocar-se ainda uns bons 40 quilómetros mais para Norte.
No trajecto, o transístor cantarolava:

ANGOLA É NOSSA

Ó povo heróico português,
Num esforço estóico outra vez
Tens de lutar, vencer, esmagar a vil traição!
P’ra triunfar valor te dá o teres razão
Angola é nossa – gritarei –
É carne, é sangue da nossa grei,
Sem hesitar p’ra defender,
É pelejar até vencer!
Ao invasor castigar coo’o destemor
Ancestral, deter, destroçar!
E gritar: Angola é nossa
É nossa, é nossa
Vencer, escorraçar!
Angola é nossa
Angola é Portugal!…

Desde então, António sentira que a confiança que o animava se começava a esvaziar como um balão.
Seriam os novos senhores da guerra!

MAX

sábado, 24 de outubro de 2015

O FILME

Uma viagem no tempo transportando-nos através do mar e do ar. Nesta visualização todos nós vamos recordar momentos de grande intensidade que vivemos nessa terra que nos acolheu durante 27 meses. Um agradecimento ao nosso "correio" Aurélio de Sousa, que teve a amabilidade de criar este Aerograma.








quarta-feira, 7 de outubro de 2015

SONGO A PARAGEM

Escrevemos nesta povoação momentos multifacetados, a alegria, a tristeza, o medo, a raiva, o amor e um sem número de outras manifestações de estarmos vivos.
Um total de 697 dias que nos fizeram acreditar que por ali ficaríamos, no entanto tudo tem o seu fim e a nossa missão terminou um dia, e como tal deixando para trás a vila do Songo!









                             

sábado, 8 de agosto de 2015

CARTAS DE AMOR NA GUERRA

Cartas da Guerra compila as cartas que um alferes de 28 anos, destacado para Angola, escreveu à mulher. A voz de um namorado, pai e escritor em construção, hoje o autor António Lobo Antunes, tornada personagem colectiva num filme em rodagem.
O homem entrou em casa, de madrugada, avançou para o quarto, como que guiado pela voz da mulher grávida que lia à sua barriga uma carta. A futura mãe tinha em mãos as páginas de uma das missivas de amor que integram um livro: aquele que compila as cartas escritas por um alferes médico de 28 anos, destacado logo após a conclusão do curso de Medicina para uma comissão de serviço em Angola (1971-1973), à mulher grávida que deixara em Lisboa.
“O filme tem a ver com coisas que me interessam, um país a agonizar no fascismo, mas nesse cenário algo que tem a ver com crescimento”, diz Ivo Ferreira, “o crescimento de um autor, de um pensador, alguém que caminha para ser melhor, como namorado, como marido, como pai” – foram as filhas do escritor, Maria José Lobo Antunes e Joana Lobo Antunes, que publicaram em 2007 a edição de D’este viver aqui neste papel descripto: Cartas da Guerra por vontade expressa da mãe de ambas que morreu em 2004.
As cartas são um refúgio. Escreve-se pelo amor, é pelo amor que se sobrevive. As cartas de amor surgem aqui quando o presente não pode ser vivido.”

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segunda-feira, 27 de julho de 2015

HELICÓPTEROS....

A Força Aérea utilizou em África helicópteros Alouette e Puma e, desde o início da sua operação, estes aparelhos demonstraram ser dos mais importantes meios para o sucesso das operações de contraguerrilha. Foi a aeronave que melhor simbolizou o esforço da Força Aérea na guerra, já que aumentou a mobilidade das forças terrestres, apoiou-as pelo fogo, evacuou do campo de batalha os seus feridos, reabasteceu-as de água, de comida e de munições e colaborou ainda no auxílio às populações.

A decisão de adquirir os primeiros helicópteros data de 1957 (embora desde 1954 a Força Aérea operasse um Sikorsky UH-19, nos Açores), data em que o Governo decidiu adquirir sete Alouette II (AL II) à Sud-Aviation. Estas sete aeronaves começam a actuar em Portugal em 1958. Em meados de 1961, na sequência do início da guerra em Angola, os AL ll foram para o aeródromo do Negaje, sendo deslocados para Luanda em Agosto do mesmo ano e substituídos, em meados de 1963, pelos AL lII, sendo os AL lI transferidos para a Guiné, onde entretanto se abrira nova frente de guerra.

Quatro deles irão ainda, no início de 1966, para Moçambique, transportados num DC-6, para guarnecer a nova frente de combate, vindo a ser progressivamente retirados da actividade operacional nos três teatros da guerra, substituídos pelos AL III.

Os Alouettes III efectuaram a sua primeira missão operacional em Moçambique em 3 de Março de 1966, em missão de evacuação sanitária de piloto acidentado na região de Mueda.

Os Alouettes III realizavam missões de transporte táctico em operações de helitransporte e heliassalto, de transporte logístico, de evacuação sanitária e de apoio pelo fogo. Para que este helicóptero, basicamente uma aeronave civil, pudesse ser utilizado como plataforma de armas, houve que o adaptar para ser possível instalar a bordo uma arma eficaz. A partir de 1965, o AL III foi armado com canhão de 20 mm, montado em suporte no chão do aparelho, operado lateralmente por um atirador. Este aparelho, que apoiava as forças terrestres, protegia outros helicópteros de transporte e fazia reconhecimento armado, teve, durante a guerra, o nome de código de «Lobo Mau».

Em 1973, realizaram-se experiências para adaptação do lança-foguetes de 37 mm e de 2,75, que nunca chegaram à fase de emprego operacional. Em 1970, e fruto da necessidade de as forças portuguesas disporem de helicóptero de maior capacidade de transporte, foram adquiridos, também à Sud-Aviation, treze SA 330-Puma, que entraram ao serviço em Angola, em Outubro de 1970, destinando-se seis deles a Moçambique. Eram equipados com duas turbinas e podiam transportar até dezoito a vinte homens (um grupo de combate), o que, dada a sua elevada autonomia, aumentou grandemente a mobilidade das forças terrestres. Estes helicópteros podiam voar de noite, o que representou progresso significativo em relação aos Alouettes III.

Foram intensamente utilizados por forças especiais em Angola, nas missões de intersecção de colunas de guerrilheiros vindos das fronteiras do Congo e da Zâmbia, e serviram também como transporte de evacuação sanitária e de apoio logístico.

Helicópteros

- ALII (SE 3130)                                 7
- ALIII (SE3160)                             142
- Puma (SA330)                                 13
- Horas voadas em 1973             30 000
- Acidentes em 29 anos                   213
- Pilotos mortos                                 30

Primeiro voo operacional do helicóptero Puma - 23 de Outubro de 1970, em missão de transporte de manobra (TMAN) em Santa Eulália, Norte de Angola.
Primeira missão operacional em Moçambique - 3 de Março de 1966, em missão de evacuação sanitária de piloto acidentado na região de Mueda.










sexta-feira, 24 de julho de 2015

EM DEFESA DA PÁTRIA...

A cruel realidade de extemporaneamente cair de chofre um telegrama comunicando a morte do seu filho em defesa da pátria! O sofrimento para uma Mãe deveria ser insuportável, o sentimento de perca deveria ser lancinante.
Hoje passados tantos anos o esquecimento por parte das entidades responsáveis é reprovável e
a história ficará manchada pela falta de coragem desta classe política...coragem tivemos nós que demos a nossa vida pela Pátria!




quarta-feira, 24 de junho de 2015

O Encontro... Passados 40 Anos....



Quem esteve no cenário da guerra sabe os meandros que percorremos, e neste caso especial é de louvar a atitude do Furriel Bento. Quantos deixaram os filhos e nunca os assumiram, o teatro da guerra não dava hipótese a sentimentalismos e os superiores hierárquicos não davam a mínima hipótese, possivelmente seria levantado um auto ao militar e seria castigado. A coragem deste homem emerge dum contexto em que a maioria das pessoas opinam sem saberem, só quem por lá passou é que sabe.
Excelente reportagem e uma atitude nobre de um pai que viveu sempre com a ansiedade de apertar nos seus braços. o filho querido!


sexta-feira, 1 de maio de 2015

ADEUS NA HORA DA LARGADA

Minha Mãe
(todas as mães negras
cujos filhos partiram)
tu me ensinaste a esperar
como esperaste nas horas difíceis

Mas a vida
matou em mim essa mística esperança
Eu já não espero
sou aquele por quem se espera

Sou eu minha Mãe
a esperança somos nós
os teus filhos
partidos para uma fé que alimenta a vida

Hoje
somos as crianças nuas das sanzalas do mato
os garotos sem escola a jogar a bola de trapos
nos areais ao meio-dia
somos nós mesmos
os contratados a queimar vidas nos cafezais
os homens negros ignorantes
que devem respeitar o homem branco
e temer o rico
somos os teus filhos
dos bairros de pretos
além aonde não chega a luz elétrica
os homens bêbedos a cair
abandonados ao ritmo dum batuque de morte
teus filhos
com fome
com sede
com vergonha de te chamarmos Mãe
com medo de atravessar as ruas
com medo dos homens
nós mesmos

Amanhã
entoaremos hinos à liberdade
quando comemorarmos
a data da abolição desta escravatura
Nós vamos em busca de luz
os teus filhos Mãe
(todas as mães negras
cujos filhos partiram)
Vão em busca de vida.

Agostinho Neto


quinta-feira, 23 de abril de 2015

FÁBRICA MILITAR de BRAÇO de PRATA

Também chamada vulgarmente como Fábrica de Braço de Prata, começou a funcionar em 1908, fazendo essencialmente munições de artilharia.
Em 24 de Novembro de 1953, deu-se uma explosão nesta fábrica da qual resultaram 12 mortos.
Atingiu o seu auge durante a Guerra Colonial, altura em que conseguiu produzir centenas de milhares de espingardas automáticas, morteiros, metralhadoras, munições, fardamentos e outros artigos que equiparam as Forças Armadas Portuguesas.
Os produtos projectados, e fabricados, nesta fábrica mais conhecidos foram:
Pistola-Metralhadora de 9 mm
Espingarda Automática G3
Metralhadora de 7,62 mm HK21
Morteiro de 60 mm
Pistola-Metralhadora de 9 mm de seu nome"Lusa", não tendo sido fabricada nesta fábrica, mas cuja licença foi vendida.






A FBP, mais conhecida como a "agrafadeira"
O desenho e fabrico eram inteiramente portugueses e a sua construção era dividida entre 2 fábricas, a FNM(Fábrica Nacional de Munições de Moscavide), e a FBP(Fábrica de Braço de Prata). Existiram 2 versões: a FBP M/947 com tiro completamente automático e a FBP M/961 com selector de tiro, que permitia tiro semi-automático e automático.







domingo, 19 de abril de 2015

A TUA FOTOGRAFIA

Com muita nostalgia fiz este poema dedicado ao meu marido, sem que fizesse para tal , esta foto que estava guardada,veio até mim. Senti uma enorme saudade e vontade de falar do que foi o nosso amor e vida. Assim é com todo o meu carinho que partilho convosco. ( Não para me fazer de vítima pois infelizmente foram tantas as mulheres, filhos e pais que passaram o mesmo que eu). Mas sim porque o meu EU me pediu.

                                                                 A TUA FOTOGRAFIA
Estás sempre no meu coração 
Mas ao ver esta tua foto 
Causou -me muita emoção! 
E uma saudade imensa e forte.
Tanta e tanta coisa recordei,
Apenas num segundo
Muitos momentos veio à minha mente.
Amamo-nos com loucura 
Muita ternura, amor profundo.
Éramos muito novos com muitas ilusões. 
A nossa vida em comum 
Durou apenas uma Primavera! 
Semeamos uma semente do nosso amor, 
Com fecundidade e nasceu no Outono 
Foi uma grande felicidade para todos. 
Estavas fora, ao serviço do nosso país. 
Esperava com confiança o teu regresso 
Para que a nossa vida fosse completa.
A saudades que sentíamos 
Eram mitigadas, pelas cartas
Que todos os dias escreviamos 
Um ao outro e pelo amor da nossa filha. 
Ainda a nossa princesa, não tinha três meses, 
Esperava receber uma carta tua. ..
Não recebi! Recebi sim ...
A visita de um Militar da Marinha 
Trouxe a notícia mais dolorosa 
Que recebi na minha vida. 
A dor foi tão forte que desejei morrer .
Não morri! Mas foi muito sofrimento. 
Hoje ao ver esta foto 
O meu passado voltou no tempo
Com lembranças que vão doer sempre. 
Pelo meu primeiro e grande amor, 
Pelo o pai da minha filha,
Pelo o homem humano e honesto, 
Pela partida prematura e horrível ,
Uma partida que deixou muita mágoa. 
Muita dor e grande saudade.

                                                                    Rosete Cansado


quarta-feira, 15 de abril de 2015

CRUZES SEM ROSTO...

Nas três frentes da guerra colonial, cairam para sempre, milhares de jovens,abraçando a terra quente e vermelha. Muitos deles não voltaram à sua Pátria, foram abandonados e votados ao ostracismo de vários governos.
Um País que ignora os seus filhos e a sua história deixa de ter pergaminhos.



 
            

sexta-feira, 10 de abril de 2015

PESADO TRIBUTO...

             


Um tributo ao soldado português que combateu e tombou pela pátria em África”, e a toda “a juventude portuguesa que fez a guerra colonial e foi muito mal tratada. Foi para a homenagear que escrevi este livro”, confessou. O antigo sargento diz ter feito parte de “uma juventude massacrada e sofrida”, cuja maioria nem possuía a 4ª classe, a escolaridade obrigatória na época. Recorda ainda “uma juventude que não tinha praticamente nada”, e que “sem o Serviço Militar Obrigatório (SMO) cumprido dificilmente conseguia encontrar emprego”. Aos 18 anos Mário Ferreira Santos já estava em Moçambique, depois de se ter voluntariado para a tropa. Apenas antecipou uma situação difícil de contornar: “aos 20 anos todos sabíamos que o nosso destino era África”, recorda. “Íamos para um mundo completamente desconhecido” com “a chama e o ideário da defesa da Pátria”. Quando mobilizados para o Ultramar, o transporte de militares “era feito em cargueiros adaptados” por vezes “com condições sub-humanas, onde os soldados se amontoavam”. Viajavam  após escutarem frequentemente: “Angola é nossa, frase repetida até à exaustão”, a propósito do início das hostilidades neste primeiro cenário de guerra, a que se seguiram Moçambique e Guiné-Bissau, os outros dois cenários de guerra onde Portugal esteve envolvido.
Para o antigo sargento, convém não deixar cair no esquecimento este “período negro da nossa história”, do qual “não podemos ter orgulho, mas também não podemos dizer que tivemos vergonha”. Considerou ainda que, “as guerras de guerrilha nunca se ganharam pelas armas, mas sim pela política”, factor que, a seu ver, “esteve na origem do 25 de Abril” de 1974. Ao longo do período da guerra colonial, Portugal enviou para África mais de 800 mil soldados. Perto de nove mil tombaram em combate, cerca de 30 mil foram feridos com gravidade, dos quais 14 mil ficaram com deficiências físicas para o resto da vida. No entanto, ainda falta um verdadeiro relatório que inclua “todos aqueles que ficaram afectados pelo stress de guerra até aos dias de hoje”, conclui o antigo militar.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

EXTRATOS de uma GUERRA...

Uma parcela do livro "TAMBÉM EU ESTIVE LÁ..", escrito pelo nosso ex-alferes Lino Rei.
Segundo relato do ex-furriel, Laranjeira, mecãnico-auto, que não se comparando propriamente a um guerrilheiro no terreno, tal como os atiradores, trabalhava com outras armas, não menos importantes que as nossas G 3, como as chaves de bocas e de luneta, para apertar os parafusos dos já muitos desapertados que existiam nas velhas carcaças que nos haviam deixado os "velhinhos" da Companhia que fôramos render, também ele se pronuncia a prepósito:
"Existem imagens que, difìcilmente, se conseguem esbater na voragem do tempo e que ficarão para sempre retidas no nosso imaginário. Uma delas, foi a nossa chegada ao Songo. O contraste da rigidez dos nossos rostos, de olhos ainda virgens para o teatro de guerra que desconhecíamos, e o explodir da incontida alegria dos "velhinhos" nos seus camuflados já completamente desfigurados por inúmeros rasgões em formas geométricas losangulares, rectangulares, circulares e outras, foi por demasiado evidente. O aspecto fantasmagórico daquela tropa, só podia ser comparado a uma qualquer visão de tipo dantesco com descida aos infernos, que terminou num clamor de cantilena desconjuntada de múltiplas vozes:

Ó maçarico
Tua alma chora
Olha a velhice
Que se vai embora!

De seguida, foi vê-los, estrada fora, a caminho da peluda. Para nós, restavam os camuflados ainda luzidios e a incerteza do futuro".






sábado, 28 de março de 2015

UM DIA, FOI ASSIM....

Um documentário cumplice e intimista. 25 de Abril de 1974, o jovem militar Orlando Mesquita corria pelas ruas, juntando-se a tantos outros na grande celebração da liberdade. Escassas semanas após o acontecimento, é enviado para uma guerra que afinal não terminara num passe de magia. Como tantos jovens anónimos, foi enviado para limpar, discreta e silenciosamente, os despojos do conflito.
Da experiência brotaram cicatrizes, histórias ocultas que através da lente se revelam nesse território onde as linhas de um rosto traçam um mapa, e nesse mapa se confrontam com a palavra dita e sentida.




quinta-feira, 19 de março de 2015

AS MULHERES e a GUERRA COLONIAL

Rezaram e fizeram promessas por eles. Escreveram-lhes centenas de aerogramas, adiando o amor, às vezes sem volta. Tornaram-se madrinhas de guerra de homens que nem sequer conheciam. Foram com eles para o território desconhecido de África, que amaram ou odiaram, ou resignaram-se a esperar por eles, com filhos nos braços. 
Voaram para os resgatar do mato, onde chegaram mesmo a morrer por eles, e organizaram-se, com maior ou menor cunho ideológico, para lhes aliviar a saudade, enquanto apoiavam as suas famílias. Arriscaram por eles, protegendo-lhes a retaguarda, contestando a guerra, desertando sem saberem quando voltariam ao seu país, mergulhando na clandestinidade e aderindo à luta armada, sujeitas às sevícias da polícia política e perdendo a juventude nas masmorras da prisão. Trataram deles quando voltaram, mutilados e traumatizados, e habituaram-se a amar homens diferentes daqueles com quem haviam casado. Cada uma à sua maneira, as protagonistas deste livro foram pioneiras, desbravando 
caminhos outrora vedados às mulheres. Mães, irmãs, filhas, amantes, companheiras, amigas, muitas mulheres viveram a guerra colonial como se também elas tivessem sido mobilizadas. Depois da guerra, também para elas nada foi como dantes.