sexta-feira, 15 de maio de 2009

"Rápidamente e em força p/Angola"



Quando Salazar, depois de dominar a tentativa de golpe de estado do general Botelho Moniz, pronunciou as palavras “Rápidamente e em força para Angola”, estava, mais uma vez, a traçar o destino de Portugal e das suas colónias. 
Com estas palavras e as acções que se lhes seguiram, Salazar fechava as portas, desde o início, a qualquer solução negociada para a questão colonial. Impressionados pela exibição das fotografias dos terríveis massacres no norte de Angola, verdadeiras mas de uma só face, os Portugueses responderam, de forma geral, com generosidade ao apelo do ditador, sem poderem formular livre juízo de valor, sobre o seu empenhamento. 
A guerra acabou, aliás, por conduzir a maior dureza dos sistemas repressivos do regime, impedindo qualquer discussão ou abordagem do problema que se tornou o nó górdio da própria ditadura. Quando Salazar saiu da cena política, em 1968, deixou ao seu sucessor um regime desacreditado, com mais de 100 000 homens em três frentes de combates e mais de um terço dos gastos do Estado, afectos às despesas militares. 

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